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Mário Centeno eleito ministro das Finanças do Ano da Europa pela revista The Banker

JULIEN WARNAND/EPA

Condução dos trabalhos no Eurogrupo e recuperação económica de Portugal estão na origem da distinção da publicação do grupo Finantial Times

2019 começa bem para Mário Centeno. O ministro das Finanças e presidente do Eurogrupo anunciou esta quarta-feira, pela rede social Twitter, que foi eleito Ministro das Finanças do Ano da Europa pela revista "The Banker", uma publicação do grupo Financial Times especializada em assuntos financeiros.

Segundo a "The Banker", Mário Centeno "pode olhar para os seus primeiros 12 meses como presidente do Eurogrupo com bem merecida satisfação". E concretiza: "maratonas de negociações envolvendo os ministros das Finanças da zona euro no princípio de Dezembro culminaram nas reformas mais significativas no bloco da moeda única desde a crise da dívida soberana. Foi alcançado acordo em dezenas de assuntos em torno da prevenção e gestão de futuras crises financeiras".

A publicação continua apontando que o ministro tem pela frente dois desafios ainda maiores em 2019: um pilar da união bancária e outro destinado a reforçar a credibilidade do projeto europeu.

"Agora, podemos concentrar-nos no esquema europeu de garantia de depósitos e no orçamento da zona euro", afirma Centeno, citado pela "The Banker".

A revista continua relembrando que Centeno foi uma escolha pouco habitual pelos seus pares "para uma das posições mais prestigiadas" da zona euro. "É o primeiro presidente do Eurogrupo do sul da Europa e o primeiro de um país resgatado durante a crise financeira".

"A eleição do economista português, que tem um doutoramento de Harvard, foi um reconhecimento da impressionante recuperação económica de Portugal", argumenta a publicação, recordando, nomeadamente, a forte descida do desemprego e a previsão da OCDE para um crescimento estável do PIB, acima dos 2%, em 2019 e 2020.

"O défice público deve desaparecer até 2020 e o rácio da dívida pública está numa trajetória descendente firme", acrescenta a OCDE, citada pela revista.

A "The Banker" relembra ainda a solução política em Portugal, com o PS coligado desde 2015 com o "radical Bloco de Esquerda e os comunistas portugueses numa plataforma anti-austeridade".

E frisa que a primeira prioridade de Mário Centeno foi "reestruturar e recapitalizar quatro dos cinco maiores bancos em Portugal durante 2016 e 2017".

Além disso, "o salário mínimo e as pensões foram aumentadas, ao mesmo tempo que os impostos sobre as empresas e as pessoas com baixos rendimentos diminuiram", elenca a publicação.

Para "diminuir a pressão sobre as finanças públicas, os gastos em infraestruturas foram cortados, mas começaram a recuperar desde 2017", afirma a "The Banker".

Centeno "arrancou elogios pela sua liderança do Eurogrupo e por ser mais conciliador do que o seu por vezes abrasivo antecessor, Jeroen Dijsselbloem", diz a revista.

E termina citando Mário Centeno: "Acredito firmemente nas instituições e em torná-las melhores. Compromissos são a essência do progresso".