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Azeite português em alta no Brasil

As exportações de bens estão a recuar 14,5%, penalizadas pela indústria aeronáutica. Mas, no rei das vendas, o azeite, estão a subir quase 20%

Depois de quase triplicarem entre 2008 e 2017, as exportações portuguesas de bens para o Brasil estão a recuar 14,5% em 2018 (até outubro) para €664,2 milhões, segundo o Instituto Nacional de Estatística (INE). Mas esta evolução negativa deve-se, em grande medida, à indústria aeronáutica. O sector é o segundo mais importante nas vendas de bens para aquele país, representando 16,3% do total. E está a recuar 36%.

Outra história conta o azeite, o rei das vendas para o Brasil, com 28,4% do total. O INE contabiliza já €188,4 milhões em 2018, mais 20% do que em igual período de 2017. “Temos 60% de quota de mercado no Brasil”, diz Mariana Matos, secretária-geral da Casa do Azeite — Associação do Azeite de Portugal. Depois do pico de 2014, “houve um decréscimo das vendas, fruto da crise no país, mas, assim que houve alguma recuperação, o consumo voltou a aumentar, porque é um produto com grande notoriedade.” E as perspetivas são de “forte crescimento”, assegura. Também o vinho, outro dos principais produtos exportados para o Brasil, regista uma evolução positiva em 2018, com um aumento de quase 17%, para os €43,4 milhões.

Em sentido contrário, as vendas de “peixe, crustáceos e moluscos” — basicamente, bacalhau — estão a recuar 4%, para €57,2 milhões. “O mercado brasileiro é, de longe, o nosso maior mercado de exportação, representando 25% das vendas da empresa, apesar de este ano estarem a recuar cerca de 10%”, indica Ricardo Alves, administrador da Riberalves. A explicação está “na desvalorização do real e no agravamento do preço da matéria-prima, que levaram a um aumento de 30% no preço para o consumidor final”. Mas “as perspetivas são positivas. Esperamos que agora a valorização do real ajude o consumo”, afirma Ricardo Alves.

Surpresa no turismo

No turismo, os brasileiros estão a afirmar-se como fonte de receita relevante. Este Natal, e no período que se estende até à passagem do ano, vão ser o terceiro maior mercado dos hotéis portugueses, logo a seguir aos portugueses e aos espanhóis, segundo um recente inquérito da Associação da Hotelaria de Portugal (AHP). Ver os brasileiros a conquistar uma posição tão relevante no período do Natal, atingindo uma posição que pertencia aos britânicos, “foi uma surpresa”, adianta Cristina Siza Vieira, presidente executiva da AHP.

A procura de brasileiros nos hotéis nacionais cresceu 9,3% no acumulado do ano até outubro, segundo os últimos dados do INE. O destaque em 2018 vai para o mês de julho, com um recorde de turistas provenientes do Brasil, que asseguraram 240 mil dormidas.