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Por causa da guerra comercial, OCDE revê em baixa crescimento mundial

A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) apresentou esta quinta-feira as suas previsões económicas intercalares baixando o crescimento mundial para 3,7% e o da zona euro para 2% em 2018. No próximo ano, a zona euro deverá abrandar ainda mais. A Argentina entra em recessão em 2018

Jorge Nascimento Rodrigues

O crescimento mundial foi revisto em baixa para este ano e o próximo, segundo o relatório de projeções intercalares apresentado esta quinta-feira por Laurence Boone, a economista-chefe da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE). Entre as grandes economias, a OCDE reviu em baixa o crescimento na zona euro e destacou, nas economias emergentes, a queda em recessão da Argentina já este ano, e um abrandamento forçado na Turquia. Este relatório intercalar atualiza as projeções publicadas em maio.

"A expansão pode ter chegado ao seu ponto máximo", avisa a organização baseada em Paris, destacando o abrandamento económico a partir do próximo ano à escala mundial. Para já reviu em baixa em uma décima, a taxa de crescimento mundial para 2018, baixando-a de 3,8%, nas projeções de maio, para 3,7%, nas projeções divulgadas esta quinta-feira. Para o próximo ano, a projeção é revista em duas décimas, caindo de 3,9% para 3,7%, o que significa que a aproximação a um crescimento mundial de 4% fica mais longe.

O principal culpado desta revisão em baixa são as tensões comerciais à escala mundial. "As tensões comerciais começaram a morder e já estão a causar efeitos adversos nos planos da confiança e do investimento", sublinhou Boone. Mas a recém-nomeada economista-chefe da OCDE acrescenta como outros riscos a vulnerabilidade dos mercados emergentes, as alterações políticas, e as debilidades orçamentais nomeadamente na zona euro. Destacou, em particular, como fontes de incerteza política, o desfecho das negociações do Brexit e a situação em Itália.

Boone referiu, ainda, o aperto da política monetária norte-americana por parte da Reserva Federal (Fed) destacando que isso está a provocar o repatriamento dos capitais dos mercados emergentes para os EUA. A Fed deverá subir a taxa diretora mais 25 pontos-base na reunião da próxima semana e o mercado de futuros aponta para o fecho do ano com a taxa de referência do banco central dos EUA no intervalo entre 2,25% e 2,5%. Os juros da dívida norte-americana a 10 anos regressaram na quarta-feira acima de 3%, um máximo desde maio.

Previsões da Zona euro, Alemanha, Argentina e Turquia mais pessimistas

O impacto desta desaceleração económica nota-se mais na zona euro e em algumas economias emergentes.

A OCDE destaca a revisão em baixa do crescimento na zona euro, de 2,2% para 2% em 2018, e de 2,1% para 1,9% no ano seguinte. Das três economias do euro referidas, a Alemanha é que sofre a revisão em baixa acumulada mais elevada, de 5 décimas nos dois anos, com a taxa de crescimento do motor da zona euro a descer de 2,5% em 2017 para 1,8% em 2019.

Nas economias emergentes, a Argentina entra já em recessão em 2018, com uma quebra de 1,9%, face a uma previsão anterior de um crescimento de 2%. A Turquia, outro dos mercados emergentes em destaque este ano, a previsão de crescimento para este ano baixa de 5,1% para 3,2% e a OCDE projeta que descerá para 0,5% no próximo ano. As novas previsões cortam substancialmente no crescimento da África do Sul (uma revisão em baixa de 1,4 pontos percentuais nos dois anos) e Brasil (corte de 1,1 pontos percentuais nos dois anos).

Apesar de serem os dois gigantes em confronto na guerra comercial em curso, as projeções para os EUA e a China não foram alteradas em relação às publicadas em maio no que respeita a 2018: 2,9% e 6,7% respetivamente. Para 2019, o crescimento dos EUA foi cortado em uma décima, descendo para 2,7%. O da China mantém-se em 6,4%. A OCDE não mexeu nas previsões para a Rússia: 1,8% em 2018 e 1,5% em 2019.

A OCDE considera como "necessidade imediata" travar o deslizamento para o protecionismo. Pede que se reforce o sistema comercial internacional baseado em regras globais e que se resolvam as tensões através de "um diálogo multilateral". O que choca claramente com a estratégia da Administração Trump apostada no protecionismo como arma geopolítica e em uma gestão internacional baseada no unilateralismo.