Cinema

Godard sou eu: uma entrevista ao Expresso, em 1991

13 setembro 2022 18:08

João Lopes

ullstein bild

Sobre Jean-Luc Godard o menos que se pode dizer é que continua a ser polémico. E não será o seu filme «Nova Vaga», agora lançado entre nós, que vai gerar qualquer unanimidade em torno do homem ou da obra. Para ele, curiosamente, o tempo é de reencontro com alguns cenários do seu passado, até mesmo da sua infância. Auto-retrato em movimento de um eterno exilado: «Sinto-me estrangeiro no país em que estou.» Com ternura, algum egoísmo e o pudor de uma serena felicidade. Esta entrevista ao cineasta, que morreu esta terça-feira, foi originalmente publicada na edição de 15 de junho de 1991 do Expresso

13 setembro 2022 18:08

João Lopes

«A televisão ocupa o meu país, que é o país do cinema» – é a confissão de um exilado, claro, mas é sobretudo o auto-retrato de um homem só. Não que Jean-Luc Godard procure a solidão ou tente impô-la como valor de troca junto dos outros. Mais de três décadas passadas sobre a agitação criativa da Nova Vaga do cinema francês, de que foi um dos protagonistas, Godard está só com a sua história.