Coronavírus

Covid-19. Depois de 70 mil vacinados, Portugal entra em “fase mais complexa”: próximas pessoas na lista vão receber SMS

1 fevereiro 2021 18:47

miguel a. lopes/pool/ lusa

Marta Temido diz que os números que colocam Portugal como um dos países mais atrasados na vacinação estão desatualizados: o país é o sétimo que mais vacina, garante. Ministra deixa ainda um “repúdio veemente” aos atropelos ao plano de vacinação

1 fevereiro 2021 18:47

Terminada a vacinação em lares de idosos e unidades de cuidados continuados integrados, a ministra da Saúde quis chamar a atenção para “uma fase mais complexa” do plano de vacinas contra a covid-19 em Portugal. Em conferência de imprensa, lembrou que a partir de agora não é a vacina que vai ao cidadão, tem de ser o cidadão a ir à vacina. “A expectativa de boa continuação deste processo” mantém-se, garantiu Marta Temido.

A ministra da Saúde, que ao lado tinha Luís Goes Pinheiro, secretário de Estado Adjunto e da Modernização Administrativa, fez uma síntese da administração de vacinas até agora em Portugal. Exceto nos ERI (Estruturas Residenciais para Idosos) e unidades de cuidados continuados em que tenha havido surtos de covid-19, todos foram inoculados, profissionais e residentes. Os que enfrentaram surtos, agora ultrapassados, vão ser vacinados esta semana.

Ao todo, até esta segunda-feira cerca de 70 mil portugueses foram integralmente vacinados contra a covid-19, isto é, tomaram já as duas doses previstas. Além dessas, foram administradas 340 mil primeiras doses, incluindo, além dos casos acima citados, profissionais de saúde dos sectores social, público e privado.

Seguem-se pessoas com mais de 80 anos e sem comorbilidades e as pessoas entre os 50 e os 79 anos que sofram de alguma das quatro doenças identificadas no plano de vacinação (insuficiência cardíaca, doença coronária, insuficiência renal e doença respiratória crónica). Feitas as contas, estes dois grupos representam cerca de 900 mil pessoas.

O teste da SMS

Coube ao secretário de Estado explicar que o Governo testa agora um sistema de envio de mensagens para convocar os portugueses prioritários para a vacinação. O “projeto-piloto” começou na região de Lisboa e Vale do Tejo, foi entretanto estendido às regiões Norte, Centro e Algarve, e vai permitir vacinar pessoas já a partir desta quarta-feira.

“É um universo ainda reduzido, porque estamos a testar”, frisou Luís Goes Pinheiro, sem no entanto referir um número exato.

O processo consiste no envio de uma SMS com data e hora, à qual os doentes identificados pelo SNS devem responder com “Sim ou Não”. Em caso afirmativo, são contactados pela unidade de saúde através de novo SMS ou de contacto telefónico para marcar o local do agendamento. A marcação da segunda dose é feita logo após a primeira toma, no local.

Portugal, o sétimo que mais vacina. ECDC desatualizado, garante ministra

Os dados do Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças (ECDC, na sigla inglesa) que colocam Portugal entre os países mais atrasados na vacinação estão desatualizados. A garantia é de Marta Temido.

O envio de informação por parte do Governo à entidade europeia é feito “semanalmente”, o que significa que “por vezes a informação do Centro não é tão atualizada como aquela de que dispomos”.

Com a informação dada pela ministra da Saúde, “Portugal tem 3,3 doses de vacinas administradas por cada 100 pessoas, sendo o sétimo neste indicador”.

A ministra referiu-se ainda à ajuda externa que Portugal vai receber, depois de o Governo alemão ter adiantado que fará chegar 26 profissionais de saúde a Lisboa esta quarta-feira. Temido não confirmou a informação, disse que há ainda “aspetos em aberto”, mas que folga em saber que o Governo alemão está adiantado.

Ainda que seja “um sinal encorajador” a descida de novos contágios, a ministra frisou que as próximas três semanas vão continuar a ser de grande pressão nos hospitais, sobretudo nas unidades de cuidados intensivos.

Marta Temido teve ainda tempo para um “repúdio veemente” dos atropelos ao plano de vacinação, pedindo que sejam investigados e garantindo o empenho do Ministério que lidera “em que não se voltem a repetir”.