Da Terra à Mesa

Com o Maranho da Sertã, todos os dias são de festa

21 outubro 2022 9:35

Já foi um produto associado a ocasiões especiais, como casamentos ou almoços políticos. Hoje, o Maranho da Sertã, com Indicação Geográfica Protegida desde meados deste ano, é uma iguaria para o dia-a-dia e fácil de encontrar neste concelho do distrito na Beira Baixa. Confecionado com produtos regionais e de forma artesanal, cosido à mão, é um dos mais identitários da região, com direito a festival gastronómico anual, desde 2011. “Da terra à mesa” é um projeto Boa Cama Boa Mesa que dá a conhecer os produtos portugueses a partir de histórias inspiradoras e de sucesso, desde a produção até ao consumidor, em casa ou no restaurante.

21 outubro 2022 9:35

Em Junho deste ano, o Maranho da Sertã, que integra os produtos à base de carne, como aquecidos, salgados e fumados, foi classificado como produto com Indicação Geográfica Protegida. Produzido apenas no concelho que lhe dá nome, no distrito de Castelo Branco, distingue-se por ser um “ensacado feito a partir da bandouga”, como se lê no caderno de especificações. “A bandouga é o bucho dos ovinos e dos caprinos, é como nós dizemos aqui”, esclarece António Simões, proprietário do talho Carnes Simões, que se dedica também à produção de iguarias regionais.

Vendido cru ou já cozido no talho Carnes Simões, já que “as pessoas hoje em dia cada vez têm menos tempo”, o maranho pode ser servido como entrada ou prato principal. Para António, combina bem com uma hortaliça da época, como couve ou grelos, ou com uma salada simples, de alface e tomate.

Maranho da Sertã

Maranho da Sertã

É artesanal, regional e um valor acrescentado
Os maranhos, disponíveis todos os dias no talho, são “um êxito até à data de hoje” e a procura tem sido crescente graças ao trabalho desenvolvido pelo município, pela Associação de Produtores do Concelho da Sertã (APROSER) e pelos restaurantes – “agora é descabido ir a um restaurante da Sertã e não ter maranho”, diz. “Antigamente era feito só pelas festas, pelos casamentos. Era uma comida especial.” E a sua importância está também registada no caderno de especificações, onde é contado que foi o principal produto apresentado a Afonso Costa, ministro e primeiro-ministro da I República, num almoço em Cernache do Bonjardim, a 13 de abril de 1913.

Referência na gastronomia da região é, para António Simões, um “produto da terra” e, por isso, “um valor acrescentado”. A carne de caprino e/ou ovino é o ingrediente predominante, seguido do arroz carolino, da hortelã, do toucinho entremeado, do presunto, do azeite, do vinho branco, do sal e da água. Facultativamente, podem ser incorporados ainda chouriço de carne, sumo de limão, pimenta ou piripiri e alho.

Além disso, ainda é um produto artesanal. “A pele dá muito trabalho. É cosida à mão com agulha e linha”, explica, apresentando é uma das suas características diferenciadoras.

Maranho da Sertã

Maranho da Sertã

Vendido cru ou já cozido no talho Carnes Simões, já que “as pessoas hoje em dia cada vez têm menos tempo”, o maranho pode ser servido como entrada ou prato principal. Para António, combina bem com uma hortaliça da época, como couve ou grelos, ou com uma salada simples, de alface e tomate.

O Maranho da Sertã foi registado como Indicação Geográfica Protegida e, de acordo com um comunicado da Comissão Europeia, “realça a relação entre a região geográfica delimitada e o nome do produto”. A iguaria tradicional junta-se agora a uma lista da UE onde constam mais de 190 produtos portugueses. Todos os anos, pode provar este prato típico no Festival do Maranho da Sertã, que decorre durante o mês de julho. Durante todo o ano, são vários os restaurantes que servem a iguaria, como o restaurante Ponte Velha (Rua do Convento, Sertã. Tel. 274600160).

“Da terra à mesa” é um projeto Boa Cama Boa Mesa que dá a conhecer os produtos portugueses a partir de histórias inspiradoras e de sucesso, desde a produção até ao consumidor, em casa ou no restaurante.

A sustentabilidade social, ambiental e económica na agricultura e nas zonas rurais são linhas orientadoras da PAC - Política Agrícola Comum que, em Portugal, tem como objetivos principais valorizar a pequena e média agricultura, apostar na sustentabilidade do desenvolvimento rural, promover o investimento e o rejuvenescimento no setor agrícola a a transição climática no período 2023-2027.