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O Solar dos Presuntos está em festa: Evaristo Cardoso faz 80 anos e é condecorado por Marcelo Rebelo de Sousa

Evaristo Cardoso condecorado pelo Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa
Evaristo Cardoso condecorado pelo Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa

Esta sexta-feira, o prato principal é “Arroz de lampreia” e à mesa vão estar 350 convidados. O presente mais inesperado chegou esta semana e pelas mãos do Presidente da República.

No dia 30 de outubro comemoram-se os 48 anos da abertura do Solar dos Presuntos, mas a verdadeira festa, aquela que presta homenagem a Evaristo Álvaro Cardoso, que juntamente com a mulher, Graça, e o seu irmão Manuel abriram esta mítica casa lisboeta com sabores de Monção, acontece dia 11 de fevereiro, data em que o fundador do restaurante e agora Comendador, completa 80 anos. Pedro Cardoso, filho de Evaristo e atualmente na liderança do espaço, garante que a festa vai ser simples “como o meu pai gosta”. Estão garantidas as entradas tradicionais, como o “Polvo à Galega”, e o prato principal o “Arroz de Lampreia”, vai ser servido a cerca de 350 convidados.

Evaristo Cardoso celebra 80 anos

A festa, na realidade, começou esta quarta-feira, quando, pelas 20h00, Marcelo Rebelo de Sousa entrou pelo número 150 da rua das Portas de Santo Antão e entregou a Evaristo Álvaro Cardoso a comenda da Ordem do Mérito Empresarial e Comercial, tornando o empresário comendador. “Foi uma surpresa absoluta” confessa emocionado Pedro Cardoso, primeiro pela distinção atribuída ao pai, depois pela “surpresa absoluta de receber o Presidente da República, quer pela simplicidade, quer pela generosidade e pelo sentido de humor que demonstrou durante a noite” que começou eram 20h00 e terminou depois da meia-noite.

Solar dos Presuntos, em Lisboa

Durante este dia de aniversário, muitas vão ser as personalidades que vão desejar os parabéns a Evaristo Cardoso. Ao mesmo tempo, vão ainda agradecer-lhe o que fez pela gastronomia nacional, sendo a crítica unânime em assumir que mais do que um símbolo de Lisboa, é um verdadeiro embaixador da gastronomia nacional, nos quatro cantos do mundo. José Quitério, o mais famoso dos críticos gastronómicos nacionais, que estendeu a sua prosa ao longo de vários anos nas páginas do Expresso, recorda-se perfeitamente da primeira vez que cruzou a porta da entrada. “Não gostei” confessa, mas, diz agora Pedro Cardoso, “foi a melhor coisa que nos podia ter acontecido”. Evaristo Cardoso disse-lhe, “vamos assumir a crítica e melhorar”, e assim o fizeram. José Quitério assume que depois da primeira crítica “rendi-me, perante a consistência e a ascensão” demonstrada.

José Quitério recorda-se de, pelo menos mais quatro vezes ter escrito sobre o Solar dos Presuntos. Hoje, afastado da crítica gastronómica, afiança que o restaurante é “um caso único em Portugal. Sem pretensões de inovar, manteve-se sempre fiel aos cânones da comida regional”, sem nunca perder a qualidade, mesmo quando as obras fazima crescer a capacidade. Foi assim, recorda José Quitério, em 1977, “nas primeiras obras, depois em 1980, com as novas salas, também em 1997 e quando criaram o segundo andar, em 2007”. Da ementa, recorda-se precisamente da lampreia, servida “sabiamente em várias confeções, além das duas tradicionais”, mas também do “Bacalhau no forno” e do “Arroz de lavagante” que considera soberbo. O antigo crítico gastronómico do Expresso garante que “o Solar dos Presuntos” continua a ocupar um lugar de honra no pequeno grupo de restaurantes lisboetas que cultivam a gastronomia portuguesa”. Termina, elogiando a “máquina bem oleada e afinada em que o restaurante se tornou, mantendo-se, e sendo dos clássicos, o mais moderno, na linha da frente, com pujança e garantia de continuidade”.

Já Fortunato da Câmara, atual crítico gastronómico do Expresso diz que o Solar dos Presuntos “é um marco importante, até porque, não há em Lisboa quem faça, àquela escala, comida tradicional. Por ser de 1974, explica Fortunato da Câmara, “é um restaurante democrático, onde toda a gente vai, tendo ao longo de todos estes 48 anos, servido gerações familiares inteiras”. Considera também que o restaurante é um verdadeiro “Embaixador de Portugal, e o local perfeito para quem queira ter, sem ter de percorrer o país, uma ideia do que é comer à portuguesa”.

Em 2017, Evaristo Cardoso recebeu o Prémio Carreira do guia Boa Cama Boa Mesa. O júri justificou a distinção pelo facto de, “A 30 de outubro de 1974, Evaristo Cardoso, juntamente com a esposa, Graça, e o seu irmão Manuel, naturais de Monção, abriram um dos restaurantes mais emblemáticos da cidade de Lisboa: o Solar dos Presuntos. Inicialmente, era uma pequena sala, com lugar para atender seis clientes ao balcão e mais 12 à mesa. A boa fama, resultado da excelente cozinha minhota, passada entre gerações, neste caso de sogra para nora, aliada à qualidade dos produtos, que Evaristo Cardoso fazia questão de comprar pessoalmente, deslocando-se frequentemente à sua região natal, elevaram a casa a um estatuto de prestígio”.

Em 2014, para assinalar os 40 anos do Solar dos Presuntos, a família Cardoso editou o livro Graça do Evaristo – Uma Vida no Solar dos Presuntos. “O comer bem e bom pertence à categoria dos afetos. E os afetos implicam que sejamos corteses, afáveis e calorosos. Eis porque quem entra nesta casa, entra na sua casa.” É desta forma que o restaurante se apresenta ao mundo. Ao mundo, porque a sua notoriedade já é universal. Chegam comensais de todo o planeta, a que se juntam diariamente personalidades reconhecidas do mundo da política, do espetáculo e do futebol. Já várias vezes premiado pelo guia Boa Cama Boa Mesa, em 2020, foi também distinguido como “Mesa com Mérito”, e em 2021, como um exemplo de resiliência em tempo de pandemia.

Recorde-se que, em plena pandemia, o Solar dos Presuntos (Rua das Portas de Santo Antão, 150, Lisboa. Tel. 213 424 253) fechou para obras, tornando-se num dos mais modernos restaurantes nacionais, sem nunca deixar de servir os pratos que deram fama à casa, como o “Cabrito no forno à Monção” (€23,50), o “Bacalhau assado no forno” (€24,50), o “Arroz de lavagante” (€75/kg) e o “Cozido à portuguesa”. Na época, é dos primeiros restaurantes a servir lampreia na capital.

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