“Precisamos de mais pessoas como ela na política”. A demissão de Jacinda Ardern e o que significa para as mulheres no poder
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A renúncia da primeira-ministra da Nova Zelândia, Jacinda Ardern, que desafiou a política mundial quando foi eleita a mais jovem chefe de Estado do mundo, põe em primeiro plano os desafios enfrentados pelas mulheres no poder
Ardern fez questão de referir que prometeu à filha Neve, de 4 anos, que a quer acompanhar no seu primeiro dia de escola e disse ao seu parceiro de longa data, Clarke Gayford, que estava na altura de se casarem (cerimónia que já tinha sido adiada devido à covid-19)
“Dei tudo de mim para ser primeira-ministra, mas isso também exigiu muito de mim (...). Não posso e não devo fazer o trabalho a menos que tenha um tanque cheio e um pouco de reserva para os desafios não planeados e inesperados que inevitavelmente surgem. Tendo refletido no verão, sei que não tenho mais aquele pouco extra no tanque para fazer justiça ao trabalho. É simples
DISCURSO DE ARDERN AO ANUNCIAR A RENÚNCIA AO CARGO
“Os políticos são humanos. Damos tudo o que podemos, pelo tempo que pudermos, e depois está na hora. E para mim, está na hora.”
DISCURSO DE ARDERN AO ANUNCIAR A RENÚNCIA AO CARGO
O discurso de Ardern aludiu aos desafios de ter uma família jovem enquanto se tem este cargo, disse Anne-Marie Brady, professora de política na Universidade de Canterbury, na Nova Zelândia, à Reuters
“Ela foi muito direta e relacionável”, referiu a professora. “Acho que para qualquer jovem mulher que cresceu nesta era em que podemos ter tudo, sim, mas na verdade ainda temos as nossas ligações emocionais fortes aos nossos entes queridos.”
As mulheres têm mais liberdade, mas as “instituições patriarcais” ainda não dão o apoio necessário a uma vida familiar para uma mulher num cargo como este, acrescentou Brady
Precisamos de mais pessoas como Jacinda Ardern na política. O caso dela é motivo de reflexão sobre o que podemos fazer mais para apoiar as mulheres na política. E os homens e sua vida familiar também”, acrescentou Anne-Marie Brady em declarações à Reuters
Durante o tempo em que esteve no cargo, Jacinda Ardern não teve receio de quebrar barreiras, tornando-se a primeira primeira-ministra desde a paquistanesa Benazir Bhutto a ser mãe enquanto exercia e depois a tirar a respetiva licença de maternidade.
Ardern fez campanha para tornar o ensino superior parcialmente gratuito, combater a pobreza infantil e descriminalizar o aborto, além de ter, também, feito denúncias sobre o sexismo recorrente na política
Por exemplo, durante um encontro com a primeira-ministra finlandesa, Sanna Marin, em novembro passado, Jacinda Ardern rejeitou uma afirmação de alguns jornalistas de que a idade e o género semelhantes eram o único motivo daquela reunião entre ambas
“Ela mudou a política global apenas a ser ela mesma”, disse Marian Baird, professora de gênero e relações de trabalho na Universidade de Sydney, à Reuters
Ela tem sido um modelo para políticas femininas mais jovens e talvez até para os políticos masculinos mais jovens que querem apresentar-se de uma maneira diferente. Certamente Ardern desafia o estereótipo de um primeiro-ministro homem.”
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WEBSTORY: EXPRESSO

TEXTO (adaptado): KATE LAMB; LUCY CRAYMER;
KANUPRYIA KAPOOR / REUTERS

FOTOGRAFIAS: GETTY IMAGES
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