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Somos dos melhores nas renováveis e hidrogénio e dos piores nos transportes públicos e no lixo

11 janeiro 2023 10:49

As conclusões são de um estudo da consultora Oliver Wyman que avaliou o desempenho ambiental de 29 países europeus em sete categorias. Entre os 29, Portugal é o 18º. Nas renováveis e no hidrogénio damos cartas, mas a nossa percentagem de utilização de transportes públicos não passa dos 12%, muito longe dos 25 a 30% dos países líderes. Nas áreas protegidas somos mesmo os piores

11 janeiro 2023 10:49

O Green Transition Index avalia o desempenho ambiental de 29 países europeus em 7 categorias relacionadas com o meio ambiente: Edifícios, Energia, Economia, Indústria Transformadora, Transporte, Natureza e Resíduos. Em cada uma destas categorias, este índice, produzido pela Oliver Wyman, dá uma pontuação de 100 pontos ao país com melhor desempenho e de zero ao pior. Este Green Transition Index, explica a consultora, “facilita a comparação entre países e o seu progresso rumo à sustentabilidade e redução das emissões”.

No ranking global, que faz a média das sete categorias, Portugal aparece com 48 pontos, o que o coloca em 18º entre os 29 países europeus com melhor desempenho climático. O país, resume o estudo, “apresenta um desempenho superior nas categorias de Energia e Edifícios” e aparece mal posicionado nas categorias de “Natureza e Resíduos”. Os melhores neste Green Transition Index são os Países Baixos e a Dinamarca (ambos com 57 pontos), seguidos por um grupo de cinco países, todos com 55 pontos (Estónia, Áustria, França, Reino Unido e Alemanha).

“Portugal tem uma pontuação exatamente alinhada com a média europeia, a quatro posições da Espanha. Significa que temos um longo caminho para percorrer”, resume Sofia Cruz, Senior Consultant da Oliver Wyman durante uma conferência para a apresentação do estudo aos jornalistas.

A Oliver Wyman também conclui que os países com elevado rendimento per capita tendem a ter um melhor desempenho no índice, salvo algumas exceções. E quem são as exceções? “Luxemburgo, Irlanda e Noruega apresentam pior desempenho em comparação com a sua riqueza”, enquanto que “Itália, Estónia e Eslovénia têm uma boa pontuação, apesar de terem um PIB per capita mais baixo”.

No Green Transition Index, Portugal aparece com uma boa classificação nas categorias de Edifícios (somos o segundo na Europa) e na Energia (somos o 5º). Na Economia (15º), na Indústria Transformadora (18º) e nos Transportes (18º) estamos a meio da tabela e, finalmente, nas categorias de Natureza (25º do ranking) e dos Resíduos (27º) somos dos piores.

Usamos muita energia renovável para aquecimento

A categoria de Edifício é aquela em que saímos melhor na fotografia, sendo os segundos na Europa, apenas ultrapassados pelo Roménia. Para Portugal, nesta categoria, a Oliver Wyman destaca “a utilização de energias renováveis para aquecimento doméstico”, em que estamos na segunda posição, com 57% de utilização. Também aparecemos com um consumo de eletricidade per capita abaixo da média, de 0,11 toe/capita, o que compara com os 0,16 da média. Um “toe” é uma unidade de energia que mede o calor libertado na combustão de uma tonelada de petróleo.

Menos bem, estamos no “número de projetos de edifícios construídos com certificações de construção sustentável”, ocupando aqui a posição 19 entre os 29 países analisados.

Sofia Cruz relativa e enquadra a classificação de Portugal: “São resultados fantásticos, mas refletem as condições climatéricas que temos no nosso país”.

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Estamos no TOP 2 no hidrogénio verde

A categoria de Energia mede o “peso das energias renováveis no mix de produção de eletricidade” e a “dimensão de projetos em tecnologias de transição energética, em relação ao PIB total”. Nesta categoria de Energia aparecemos em 5º no ranking, muito por causa da aposta recente no hidrogénio.

O estudo revela que somos o segundo “em dimensão de projetos de hidrogénio verde em relação ao PIB”, e estamos no Top 5 “em capacidade de projetos de armazenamento relacionados com baterias”. No ranking do peso das energias renováveis e biocombustíveis na produção de eletricidade, estamos entre os 10 primeiros (60% de peso contra 45% da média europeia, em 2020).

Indústria transformadora muito poluente

Na categoria de Economia, Portugal é o 15º no ranking dos 29 países. Estamos numa posição intermédia em indicadores como as emissões de gases com efeito de estufa (GEE), mas estamos bem posicionados quando analisada a percentagem de despesa pública aplicada em I&D (investigação e desenvolvimento) destinada a atingir objetivos ambientais.

Na categoria da Indústria Transformadora (que mede a intensidade das emissões, a intensidade energética e a intensidade de resíduos perigosos produzidos pela indústria) caímos ainda mais no ranking, para a posição 18. Por exemplo, no indicador de intensidade de emissões na produção por valor acrescentado somos o 21º na Europa, com 660 toneladas de CO2 por milhão de euros produzidos, o que compara com menos de 400 toneladas de CO2 por milhão de euros dos países que estão no TOP 10.

Andamos pouco de transportes públicos

Na categoria de transportes públicos, a Oliver Wyman afirma que a nossa classificação é penalizada pelo “baixo uso” que os portugueses fazem deles. A percentagem de utilização de transportes públicos fica-se pelo 12% (dados de 2019), contra os 18% da média europeia ou os 25% a 30% dos países líderes. Como tal, somos o penúltimo na Europa. “Este indicador mede a utilização total dos transportes públicos de passageiros como percentagem total dos transportes de passageiros”, explica Sofia Cruz.

A consultora também aponta que “apenas 1,6% do stock total dos carros correspondem a carros de baixas emissões (a partir de 2019)”, o que compara com uma média de 1,9%, estando também muito longe dos 17% da Noruega que lidera este indicador.

Mas nem tudo é mau. Portugal destaca-se como o 4º “em termos de intensidade de emissões por passageiro” e o 5º na Europa “em termos de emissões médias de CO2 de automóveis novos”.

Somos os piores nas áreas protegidas

“Juntamente com os restantes países do Sul da Europa, Portugal apresenta resultados fracos em todos os indicadores de Natureza”, lê-se no estudo da Oliver Wyman.

“Destaca-se o índice de áreas protegidas, onde se encontra em último lugar, com apenas 3%”, contra os 17% da média europeia e longe dos 25% a 35% registados nos países líderes.

Estamos em linha com a média dos países europeus, mas bastante abaixo dos países líderes na agricultura biológica, na exploração de água e no tema da poluição atmosférica.

Muitos resíduos e baixa taxa de circularidade

Pior só mesmo a categoria de resíduos onde aparecemos no final da tabela, juntamente com os restantes países do Sul da Europa. Estamos no lugar 27 em termos de resíduos gerados per capita (com 0,51 toneladas, 22% acima da média) e estamos no lugar 26 em termos de taxa de circularidade (2% contra os mais de 20% em países líderes como Holanda, Bélgica, França e Itália). Nos resíduos depositados em aterros per capita também somos dos piores.