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Há quatro empresas portuguesas entre as 330 líderes mundiais da ação climática

24 dezembro 2022 15:55

"Marcha Mundial pela Justiça Climática" a 7 de novembro de 2021 em Lisboa

horacio villalobos

O CDP – Disclosure Insight Action analisou 18.700 empresas em todo o mundo e deu nota máxima a 330 firmas, 147 das quais são europeias. A EDP e a Jerónimo Martins são as portuguesas mais bem classificadas, seguidas da NOS e da Navigator. Grandes empresas como a Tesla tiveram a pior classificação, por falta de informação

24 dezembro 2022 15:55

O CDP – Disclosure, Insight, Action (anteriormente designado como Carbon Disclosure Project) é uma organização sem fins lucrativos reconhecida por gerir o maior sistema global independente de divulgação de informação ambiental para empresas, regiões, cidades e estados.

Todos os anos, milhares de empresas em todo o mundo divulgam voluntariamente ao CDP informação sobre o seu impacto ambiental, com o objetivo de serem avaliadas de forma independente. O CDP publica anualmente a “The A List”, uma publicação onde dá pontuações às empresas consoante o seu desemprenho climático. As empresas recebem pontuações de “A” (a mais alta) a “D-” (a mais baixa), enquanto as que não divulgam ou não fornecem informações suficientes são classificadas com a pontuação “F”.

Este ano, o CDP avaliou um número recorde de 18.700 empresas, que representam cerca de metade da capitalização bolsista a nível mundial. São mais 42% de empresas face ao ano passado e mais 233% face a 2015, quando foi assinado o Acordo de Paris.

Do total das empresas analisadas, 330, avaliadas em 11 biliões de dólares, receberam nota máxima de “A” em pelo menos uma das três categorias do ranking, sendo que algumas empresas receberam pontuação máxima em duas ou mesmo em três categorias. 283 empresas conseguiram a pontuação máxima na categoria de “combate às alterações climáticas”, 25 empresas obtiveram um “A” na categoria das “florestas” e 103 companhias registaram a pontuação máxima na categoria de “gestão da água”.

Maxfield Weiss, diretor-executivo do CDP Europe, diz que as empresas classificadas com um “A” pelo CDP “mostram que estão na dianteira, tomando medidas claras para reduzir as emissões e para abordar os impactes ambientais em todas as suas cadeias de valor. Este é o tipo de transparência e ação ambiental de que precisamos em toda a economia para evitar o colapso ecológico”.

Apenas 12 empresas em todo o mundo conseguiram um “triple A”, ou seja, a classificação máxima nas três categorias analisadas. São elas a Beiersdorf, a Danone, a Firmenich, a HP, a KAO Corporation, a Klabin, a Lenzing, a L'Oréal, a LVMH, a Metsä Board Corporation, a Philip Morris International e a UPM-Kymmene Corporation.

Do outro lado da tabela estão 29.500 empresas, avaliadas em 24,5 biliões de dólares, que tiveram a pior classificação, de “F”, por não terem revelado aos seus investidores e clientes informação suficiente sobre estas temáticas ambientais. Entre elas estão empresas conhecidas como as gigantes Aramco, a Tesla, a Berkshire Hathaway, a Exxon Mobil e a Chevron.

Portugal com quatro empresas e seis pontuações “A”

Das 330 empresas avaliadas e que receberam nota máxima de “A”, 147 são europeias e deste último grupo, quatro são portuguesas. A Energias de Portugal (EDP) e a Jerónimo Martins conseguiram cada uma duas pontuações máximas, nas categorias de “clima” e “água”.

Numa nota enviada ao Expresso SER, a Jerónimo Martins, dona da cadeia Pingo Doce, refere que além das duas notas máximas, obteve ainda um “A-” em matéria de gestão de todas as commodities associadas ao risco de desflorestação: óleo de palma, madeira, gado bovino e soja. “Nenhum outro retalhista alimentar, a nível mundial, atingiu uma classificação tão alta”, remata a empresa.

Na lista das empresas com pontuação máxima em apenas uma categoria aparecem mais duas empresas nacionais: a operadora de telecomunicações NOS e a empresas de papel Navigator, ambas com um “A” na categoria do clima.

A Navigator afirma em comunicado que a pontuação que recebeu “é um importante reconhecimento da atuação da empresa ao nível da redução de emissões, diminuição dos riscos climáticos e desenvolvimento de uma economia de baixo impacto de carbono”. Refere ainda que além do questionário relativo às alterações climáticas, “a companhia submeteu, pela primeira vez em 2021, a sua participação ao CDP Forest, focado na gestão florestal, e viu reconhecido, logo no segundo ano, o seu desempenho também nesta categoria, tendo subido para ‘A-’, ocupando agora também uma posição de líder nesta área”.

A presença de Portugal na “A List” do CDP tem oscilado muito nos últimos anos. Em 2018, a Navigator e a Galp foram as únicas a conseguir uma pontuação máxima e, em 2019, a EDP foi a única a alcançar esse feito. Tal como este ano, em 2020, Portugal também conseguiu colocar quatro empresas com pontuação máxima: os CTT, a EDP, a Sonae e a Navigator. Em 2021 voltámos a ter apenas uma empresa na montra principal do CDP, tendo a Jerónimo Martins sido a única portuguesa a conseguir figurar na “A List” do CDP no combate às alterações climáticas e na gestão da água.