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Há escassez de talento na área ESG. 45% das empresas vão contratar fora

8 dezembro 2022 12:21

luís faustino

A conclusão é de um estudo da empresa de recursos humanos ManpowerGroup que chegou à conclusão que para responder à escassez de talento relacionado com a área de sustentabilidade, 45% das empresas em Portugal pretendem ir recrutar novos profissionais no mercado. As outras vão usar a “prata da casa”

8 dezembro 2022 12:21

As políticas e práticas relacionadas com sustentabilidade e ESG (Environmental, Social e Governance, na sigla inglesa) já entraram de vez na agenda empresarial e este inquérito da ManpowerGroup é a prova disso. Neste estudo foram feitas entrevistas a 40.700 empresas, de 41 países e territórios diferentes. No caso português, mais de 8 em cada 10 organizações revelam já estar a desenvolver ou planeiam desenvolver estratégias ESG.

As empresas, no entanto, estão a deparar-se com um problema: pessoas para concretizar essas estratégias. “91% das empresas carecem do talento necessário para implementar os seus objetivos”, lê-se no estudo. As dificuldades das empresas portuguesas estão em linha com o que se passa lá fora, já que a nível global 94% das empresas confirmaram estar a enfrentar dificuldades a nível de pessoal para trabalhar as áreas de sustentabilidade.

Para responder a esta dificuldade, 45% das empresas portuguesas que participaram neste estudo afirmaram que vão recrutar novos colaboradores fora da empresa. Contudo, há quem não possa ou prefira trabalhar com a “prata da casa”. Assim, 41% das empresas estão a planear fazer o upskill das suas equipas atuais (nomeadamente através de formação) e 24% vão adicionar responsabilidades ESG às funções existentes (Os empregadores puderam escolher várias respostas, pelo que o total é superior a 100%). A ManpowerGroup também sugere “complementar a base de talento atual com trabalhadores part-time, freelance, a contrato ou temporários”, sendo que 23% das empresas concordam e planeiam recorrer a consultores externos.

Olhando para o panorama global, lá fora as empresas estão a contar mais com as equipas já existentes para desempenhar tarefas e desenvolver políticas ESG, já que 52% responderam que estão a planear fazer o upskill das suas atuais equipas (acima dos 41% reportados em Portugal). Em contrapartida, menos empresas estão disponíveis a recrutar trabalhadores de fora (41% contra os 45% de Portugal). “Estes dados indicam que, na sua maioria, as organizações pretendem optar por construir o talento internamente e acreditam que as iniciativas de ESG podem ser realizadas pelas suas equipas atuais”, resumem os gestores da ManpowerGroup.

E, S ou G? As funções mais procuradas em cada área

E para que áreas da sustentabilidade as empresas precisam de mais trabalhadores? Para o E, S ou G? O inquérito da empresa de recursos humanos chega à conclusão que 38% das empresas pretendem recrutar para a área de Governance, 35% pretendem contratar pessoas para lidar com os temas ambientais e 33% com o chamado impacto social. Rui Teixeira, Country Manager do ManpowerGroup Portugal, refere no estudo que existe uma “urgência por encontrar e qualificar o talento para responder aos planos de redução de impacto ambiental das empresas, seja de forma interna ou externa às organizações”, e cita dados da International Labour Organization para sustentar que a implementação do Acordo de Paris poderá significar a criação de até 18 milhões de postos de trabalho, até 2030.

Em relação às funções mais procuradas dentro da área de ESG, três em cada cinco estão ligadas ao pilar ambiental: 68% dos inquiridos a nível nacional referem cargos em “Ambiente, Saúde e Segurança”, 44% procuram funções relacionadas com “Sustentabilidade Corporativa” e 38% com “Reciclagem ou Gestão de Resíduos”. No inquérito, e na lista das funções mais procuradas pelas empresas portuguesas, aparecem ainda as funções de “Saúde e Bem-estar” e “Diversidade e Inclusão” (na área Social); e “Ética e Compliance” e a Cibersegurança (na área de governance).

A ManpowerGroup divide ainda as empresas em Portugal em função do tamanho para chegar à conclusão que “as empresas de grande dimensão são as mais avançadas”, com 21% a referir que já desenvolveram estratégias e incluíram progressos de ESG no seu relatório anual, e 52% reclamam ter objetivos de ESG identificados e calculados.

A diferença entre grandes e pequenas empresas, na forma como olham para o ESG e para a temática da sustentabilidade, também ficou evidente num estudo do Iscte publicado na semana passada que conclui que 28% das pequenas e médias empresas (PME) portuguesas desconhecem os conceitos básicos relacionados com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) das Nações Unidas. Leia aqui as conclusões do estudo do Iscte.