Saúde

Já se vacinaram contra a gripe 83% dos portugueses com mais de 65 anos

23 janeiro 2023 8:15

miguel a. lopes/lusa

Portugal ultrapassou a meta de 75% de taxa de vacinação contra a gripe proposta pela Organização Mundial da Saúde, o que abrange mais de metade dos profissionais de saúde

23 janeiro 2023 8:15

Mais de 83% das pessoas a partir 65 anos, e mais de metade dos profissionais de saúde terão sido vacinados contra a gripe na época gripal 2022/2023, indicam os dados finais do vacinómetro.

Se acordo com os dados finais, à semelhança do ano passado, Portugal ultrapassou a meta de 75% de taxa de vacinação contra a gripe proposta pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

Segundo o vacinómetro, 83,2% das pessoas com 65 ou mais anos de idade terá sido vacinada - mais 3,8 pontos percentuais em comparação com os resultados da 3.ª vaga do vacinómetro -, o mesmo acontecendo com 52,6% dos profissionais de saúde em contacto direto com doentes, um valor que baixou relativamente à anterior época gripal (64,4%).

No grupo dos mais velhos - com 80 anos ou mais - 87,5% das pessoas já terão sido vacinados, sendo que 58,3% o terão feito por recomendação do médico.

A informação hoje divulgada mostra igualmente que 33,4% dos portugueses com idades entre os 60 e os 64 anos (mais 6,3 pontos percentuais) estão já protegidos pela vacina contra a gripe. A cobertura vacinal das mulheres grávidas é de 69,2%.

Os dados finais do vacinómetro, que monitoriza a vacinação contra a gripe durante a época gripal através de questionários, mostram ainda uma taxa de vacinação de 6% relativamente à população entre os 18 e os 59 anos de idade.

Quanto aos doentes crónicos, terão sido vacinados 90,5% dos que têm diabetes e 85,6% dos que têm doença cardiovascular. No grupo das pessoas com diabetes, 52,3% vacinou-se por ter recebido uma notificação de agendamento pelo SNS.

Recomendação médica foi decisiva

Segundo os dados finais do vacinómetro, promovido pela Sociedade Portuguesa de Pneumologia (SPP) e pela Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar (APMGF), com o apoio da empresa biofarmacêutica Sanofi, os principais motivos que levaram as pessoas a vacinarem-se foram a recomendação médica (29,2%) e a notificação para agendamento pelo SNS (28,3%). Houve 22,3% das pessoas que se vacinaram no contexto de uma iniciativa laboral e 16,6% por iniciativa própria, porque procuram estar sempre protegidos.

Citado em comunicado, o presidente da APMGF, Nuno Jacinto, considera estes dados "muitíssimo satisfatórios", sublinhando que, "pelo quarto ano consecutivo, os resultados mostram que Portugal atingiu e superou a meta definida pela OMS para a cobertura vacinal das pessoas com mais de 65 anos de idade".

"Também nos doentes crónicos e nas grávidas os valores obtidos são bastante positivos. No seu conjunto, estes resultados indicam que os portugueses confiam na vacinação antigripal e reconhecem a sua importância e o seu valor, em particular no que toca aos grupos vulneráveis e de risco", afirmou.

Nuno Jacinto lembra ainda que "a elevada cobertura vacinal obtida tem impacto direto na proteção contra a gripe, diminuindo a incidência e impedindo cadeias de transmissão, mas tem também enormes benefícios na diminuição de complicações da gripe, por exemplo prevenindo a ocorrência de eventos cardiovasculares ou a descompensação de doenças crónicas".

Lançado em 2009, o vacinómetro monitoriza a vacinação contra a gripe durante a época gripal através de questionários realizados a uma amostra populacional definida para determinados grupos estabelecidos de acordo com as recomendações da Direção-Geral da Saúde (DGS).

A vacinação contra a gripe, que teve início em setembro, é recomendável, segundo a DGS, para quem tem idade igual ou acima dos 65 anos, crianças com seis ou mais meses que apresentem patologias crónicas associadas, doentes crónicos, imunodeprimidos e grávidas, além dos profissionais de saúde e outros prestadores de cuidados.