Loading...

Saúde

Tempos de espera no SNS aumentam: privados são a solução para quem pode pagar

Júlia Martins aguarda há dois anos para realizar uma endoscopia e uma colonoscopia

O tempo de espera por consultas, cirurgias e exames médicos no Serviço Nacional de Saúde aumentou nos últimos dois anos. É o caso de uma utente de um centro de saúde de Odivelas que está desde 2021 à espera de fazer uma endoscopia e uma colonoscopia. Sem alternativa, acabou por fazer um seguro de saúde para a realização dos exames.

Júlia Martins optou por um hospital privado, em alternativa ao hospital público. Porquê? Pois não pode continuar à espera para fazer exames complementares marcados no Centro de Saúde, na zona onde reside, em Odivelas.

É reformada, tem 64 anos de idade e toma medicamentos para o estômago desde os 40, devido a vários “problemas a nível de células que podem derivar para coisas piores”, tal com a própria explica.

Marcações e remarcações

Os exames tinham sido pedidos no verão de 2020 e a consulta no hospital ficou marcada apenas para agosto do ano seguinte. Nessa altura, a gastroenterologista pediu uma nova colonoscopia e requisitou ainda uma endoscopia.

Os dois exames ficaram marcados para de outubro de 2022. Perto da data estipulada recebeu a notícia de que os exames seriam cancelados devido à falta de anestesistas.

Posteriormente, recebeu a confirmação da nova data por mensagem no telemóvel, mas dias depois foi informada que os dois exames tinham sido novamente cancelados e remarcados para setembro de 2023.

Desde a primeira suspeita da médica de família, em 2020, até à próxima data dos exames marcados pela médica especialista, vão passar-se 3 anos.

A solução de Júlia

Júlia não está disposta a aguardar tanto tempo e, pela primeira vez na vida, virou-se para o sistema privado. Vai pagar mais, mas endoscopia e a colonoscopia já estão marcadas para este mês de janeiro.

"Eu não estou contra os médicos, nem os enfermeiros, nem todo o pessoal administrativo e auxiliar que eu acho que eles trabalham muito bem. Eu acho que só não fazem mais porque não podem. Eu estou contra o nosso Governo, as medidas do nosso, o ministro da Saúde", confessa Júlia Martins.

Perante o “caos” em que se encontra o SNS, a utente viu-se forçada a encontrar uma alternativa. Júlia Martins diz ser uma privilegiada, porque tem capacidade financeira para pagar um seguro de saúde.

Contudo, questiona como será com os que não têm essa possibilidade. Afinal, um diagnóstico tardio pode prejudicar ou mesmo inviabilizar o tratamento de uma doença grave.

+ Vistas