Coronavírus

Covid-19: incidência desce acima dos 70 anos, cuidados intensivos a 62% do limiar crítico em Portugal

17 dezembro 2021 23:02

ruben bonilla gonzalo

Efeitos da terceira dose parecem estar a fazer-se sentir. Quanto aos cuidados intensivos, o Centro tem uma ocupação de 103%, correspondente a 35 camas, sendo o Norte a segunda região com maior ocupação (76%)

17 dezembro 2021 23:02

A incidência cumulativa a 14 dias da covid-19 está a baixar nas faixas etárias dos 70 aos 79 anos (-1%) e dos maiores de 80 anos (-4%), avança a análise de risco da pandemia divulgada esta sexta-feira. A tendência, medida em relação à semana passada, poderá ser interpretada como resultado da aplicação da dose de reforço nessas faixas etárias - está neste momento aberto o autoagendamento para pessoas com 60 ou mais anos.

A incidência nestas camadas da população é, em termos absolutos, muito inferior à das pessoas mais jovens. Há 158 casos por 100 mil habitantes nas pessoas com 80 ou mais anos e 277 entre os 70 e os 79 anos. O terceiro nível mais baixo é registado na faixa etária dos 60-69 anos (426), mas neste caso há uma variação semanal de +14%. Esta subida percentual regista-se aliás em todas as camadas etárias abaixo dos 70 anos.

Segundo o relatório das "linhas vermelhas" da Direção-Geral da Saúde (DGS) e do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA), a tendência nos maiores de 80 anos já era de queda na semana passada (-4%).

A incidência global entre a população portuguesa é de 547 casos, sendo mais elevada entre os zero e os nove anos (788). Em termos de regiões destaca-se o Algarve (985).

Maré sobe nos cuidados intensivos

O número de doentes de covid-19 em cuidados intensivos corresponde a 62% do limiar crítico de 255 camas, com o Centro a ultrapassar os 100% do nível de alerta. Este valor de 62% para Portugal continental é superior ao verificado na semana anterior, que estava nos 56%.

"Observou-se um número crescente de doentes internados em unidades de cuidados intensivos", com a região Centro a apresentar maior ocupação, seguida do Norte e do Algarve, adianta o relatório.

Na quarta-feira, o Centro apresentava uma ocupação em cuidados intensivos de 103% (35 doentes) do nível de alerta, o Norte de 76% (57), o Algarve de 74% (17), Lisboa e Vale do Tejo de 43% (44) e o Alentejo de 25% (cinco).

O nível de alerta definido corresponde a 75% do número de camas disponíveis para doentes de covid-19 em medicina intensiva para Portugal continental.

A gestão da capacidade do Serviço Nacional de Saúde pressupõe uma resposta em rede que, no caso da medicina intensiva, significa que as necessidades regionais podem ser supridas com respostas de outras regiões com maior capacidade, refere o documento.

No que se refere à mortalidade por covid-19, a análise de risco da pandemia avança que, na quarta-feira, atingiu os 23,6 óbitos em 14 dias por um milhão de habitantes, o que corresponde a um aumento de 8% relativamente à semana anterior e uma tendência crescente.

"Este valor é superior ao limiar de 20 óbitos em 14 dias um milhão de habitantes definido pelo Centro Europeu de Controlo de Doenças (ECDC), indicando um impacto elevado da epidemia na mortalidade", alerta o relatório.