Coronavírus

Paul Krugman: Crise provocada pela pandemia é um misto de recessão e de desastre natural

22 março 2020 16:12

Miguel Prado

Miguel Prado

Jornalista

Economista Paul Krugman

neilson barnard/getty images

O economista norte-americano defende que a resposta à crise económica motivada pela pandemia deve basear-se mais na defesa de quem perdeu trabalho, para evitar que deixem de consumir, do que na concessão de apoios às empresas

22 março 2020 16:12

Miguel Prado

Miguel Prado

Jornalista

O economista norte-americano Paul Krugman admite que a crise provocada pela pandemia de Covid-19 tem um misto de recessão económica e de desastre natural, devendo a resposta dos governos ao problema ter em conta as características dessa crise e não se cingir a estímulos e apoios às empresas.

"Apenas parte daquilo a que estamos a assistir é uma recessão convencional, que pode ser mitigada pela política monetária e orçamental. O resto é mais uma espécie de desastre natural, em que o papel do governo é ajudar as famílias a evitar as dificuldades económicas, não pô-las a trabalhar", comentou o Prémio Nobel da Economia no Twitter.

Olhando para a realidade norte-americana, Krugman critica o projeto que corre no Senado e que consiste "quase totalmente num estímulo, um estímulo mal desenhado, e que passa ao lado do alívio das dificuldades económicas", não prevendo qualquer reforço dos subsídios de desemprego nem extensão dos períodos de baixa por doença.

"Até os apoios financeiros estão desenhados para que aqueles que mais precisam deles não os recebam na totalidade, e muitos nem sequer receberão nada. O reflexo desta crueldade para com os mais necessitados significa que parecemos estar a falhar em lidar com o maior problema", analisa Paul Krugman.

Nas suas mensagens no Twitter o economista reconhece que a pandemia de Covid-19 trouxe um choque simultâneo sobre os lados da oferta e da procura, estando a maior parte do impacto aparentemente do lado da procura. Segundo Krugman, grande parte da destruição de emprego é imputável ao choque do lado da oferta.

O economista considera que não devemos tentar compensar esse choque na oferta, que é o resultado de as empresas terem trabalhadores doentes e outros que ficam em casa neste período. "O que devemos tentar evitar são as perdas adicionais de empregos motivadas pela quebra da procura", defende Krugman.