Ciência

James Webb observou uma das mais ativas maternidades de estrelas

13 janeiro 2023 20:23

Aglomerado NGC 346, localizado na Pequena Nuvem de Magalhães, a 200 mil anos-luz de distância

nasa, esa, csa, stsci, a. pagan (stsci)

O aglomerado NGC 346 fica localizado na Pequena Nuvem de Magalhães, uma galáxia anã vizinha da Via Láctea, e permite perceber como era o processo de formação estelar no universo primitivo

13 janeiro 2023 20:23

O telescópio espacial James Webb enviou mais um fascinante postal do nosso universo: trata-se de uma imagem do aglomerado NGC 346, uma das regiões mais dinâmicas de formação estelar, localizada na Pequena Nuvem de Magalhães, uma galáxia satélite anã da Via Láctea.

Mais uma vez, o James Webb mostra por que motivo é recorrentemente comparado a uma máquina do tempo, uma vez que esta imagem permite perceber como era a formação estelar no universo primitivo. “Uma forma de estudar as condições do passado distante é encontrar paralelismos próximos. Foi por isso que o James Webb observou a região de formação estelar NGC 346 na nossa galáxia anã vizinha”, refere a NASA no Twitter.

A Pequena Nuvem de Magalhães fica na vizinhança da Via Láctea, a 200 mil anos-luz, mas é bem mais parecida com galáxias distantes que existiram há milhares de milhões de anos, durante uma era do universo conhecida como “meio-dia cósmico”, quando a formação de estrelas estava no seu apogeu. Durante o período compreendido entre dois mil e três mil milhões de anos após o Big Bang, as galáxias estavam a gerar novas estrelas a um ritmo vertiginoso.

“Durante o meio-dia cósmico, uma galáxia não tinha apenas um aglomerado como o NGC 346 da Pequena Nuvem de Magalhães, tinha milhares de regiões de formação estelar como esta”, refere a astrónoma Margaret Meixner, investigadora principal da equipa que estudou os dados fornecidos por esta imagem do James Webb.

A imagem, obtida através da câmara de infravermelho próximo (NIRCam), revela que o aglomerado possui imensas nuvens repletas de hidrogénio e poeira, elementos essenciais para a formação de estrelas e também de planetas. “Dado que a Pequena Nuvem de Magalhães tem um ambiente semelhante ao de galáxias do meio-dia cósmico, é possível que os planetas rochosos se tenham formado no universo antes do que pensávamos”, sugere Guido de Marchi, da Agência Espacial Europeia.

A sensibilidade do super-telescópio permite observar protoestrelas muito menores do que as conhecidas até hoje e, inclusivamente, é capaz de ver os discos de gás ao redor dessas ‘estrelas bebés’, algo que é completamente inédito. “Com o Webb, podemos investigar protoestrelas de menor massa, tão pequenas como uma décima parte do nosso Sol”, frisa a co-investigadora Olivia Jones.