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Arménio Carlos considera Estaleiros de Viana "fundamentais"

"Chega de destruir, queremos construir", foram algumas das palavras de ordem gritadas pelos trabalhadores

Tiago Miranda

O secretário geral da CGTP juntou-se aos trabalhadores em protesto e defendeu a importância da empresa, "para a indústria naval e para o desenvolvimento económico do país". Jerónimo de Sousa esteve também na manifestação.

O secretário geral da CGTP considerou hoje que os Estaleiros Navais de Viana do Castelo (ENVC) são fundamentais para a indústria naval e para o desenvolvimento económico do país", durante uma manifestação promovida pelos trabalhadores em Lisboa.

Arménio Carlos juntou-se hoje em Lisboa aos trabalhadores dos ENVC, numa manifestação com o objetivo de questionar o primeiro-ministro sobre o futuro da empresa e dos seus empregos.

"Estes estaleiros têm um potencial enorme para trabalhar para o estrangeiro, a Venezuela é um exemplo, mas nós temos condições para estabelecer protocolos comerciais com países africanos de língua portuguesa. Temos pessoas com competências e qualificações e com disponibilidade para produzir mais e melhor", afirmou o sindicalista.

"Estamos aqui hoje por solidariedade para com estes trabalhadores mas também por imperativo. Estamos perante uma luta dos trabalhadores pelos seus postos de trabalho mas não só, é também uma luta pelo desenvolvimento da indústria naval e pelo desenvolvimento económico da região e do país", acrescentou Arménio Carlos à agência Lusa.

O líder da CGTP lembrou que estes trabalhadores andam a lutar há três anos pela sobrevivência da empresa e pelos seus postos de trabalho.

Os cerca de 500 trabalhadores dos ENVC que desfilaram esta tarde, terminaram o protesto junto à residência oficial do primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho.

Estaleiros parados há dois anos

"Chega de destruir, queremos construir", "Viana quer progresso, não quer o retrocesso" e "Não nos andem a enganar, queremos trabalhar", foram algumas das palavras de ordem mais gritadas pelas ruas de Lisboa para chamar a atenção de quem passava.

Os ENVC estão praticamente parados há dois anos e este é o seu quinto protesto, o segundo em Lisboa, desde junho de 2011.

A venda da empresa, apenas com os russos da RSI Trading formalmente na corrida, está suspensa desde dezembro, devido a pedidos de esclarecimento apresentados pela Comissão Europeia ao Governo português, por dúvidas na atribuição de apoios estatais aos ENVC de 180 milhões de euros.

Também o secretário-geral do PCP, acompanhado pelos deputados Honório Novo e Ilda Figueiredo, fez questão de manifestar a sua solidariedade aos manifestantes e defender a importância desta empresa pública para a região e o país.

Para Jerónimo de Sousa, a luta dos trabalhadores dos Estaleiros Navais de Viana do Castelo (ENVC) não é só um problema laboral mas também uma questão social.

"O que se está a assistir é um crime por asfixia. O Governo, com as responsabilidades que tem nesta empresa, deveria ter criado condições para um pequeno investimento para satisfazer algumas encomendas e deveria pensar no futuro desta empresa que está em agonia", disse à Lusa.

Jerónimo de Sousa saiu da manifestação às 16h por ter já marcado um encontro com a Procuradora-Geral da República.