Sociedade

Mau tempo: caudal do Douro estabilizou na Régua depois de subir quatro metros

9 janeiro 2023 11:19

octavio passos/lusa

A Proteção Civil emitiu no domingo um aviso à população para o risco de cheias e inundações, após "precipitação persistente" que levou ao "aumento significativo dos caudais do rio Douro"

9 janeiro 2023 11:19

O caudal do rio Douro estabilizou esta manhã, na zona do Peso da Régua, depois de ter subido cerca de quatro metros durante a madrugada, disse à agência Lusa fonte dos bombeiros.

A Proteção Civil emitiu no domingo um aviso à população para o risco de cheias e inundações, após "precipitação persistente" que levou ao "aumento significativo dos caudais do rio Douro".

O comandante dos bombeiros do Peso da Régua, Rui Lopes, referiu que, pelas 04h, se verificou um pico no caudal do Douro, que subiu cerca de quatro metros acima do caudal normal.

Atingiu o nível máximo da última inundação que tivemos há duas semanas", apontou o responsável, que explicou que o caudal galgou a zona do cais da Régua, ficando a meio do edifício do bar, ali instalado, mas que se encontra fechado.

Os acessos à zona ribeirinha e à ecopista, localizada junto ao rio, estão cortados.

Rui Lopes disse que esta manhã o caudal estabilizou e salientou que, no terreno, vão manter-se numa monitorização permanente os elementos da Proteção Civil Municipal, bombeiros, GNR, Polícia Marítima e Autoridade Marítima.

As atenções, acrescentou, estão centradas nas condições meteorológicas e nas descargas nas barragens espanholas que se poderão refletir nesta zona do distrito de Vila Real.

"Para já a situação está controlada", frisou o comandante.

O presidente da Câmara do Peso da Régua, José Manuel Gonçalves, destacou pela "positiva" a monitorização e gestão que está a ser feita do rio.

"Já há muitos anos que não chovia como tem acontecido e a verdade é que a água ainda não veio cá em cima à avenida. Houve coisas que melhoraram na monitorização de todo o processo", apontou o autarca.

Para José Manuel Gonçalves, a "situação tem sido gerida de uma forma exemplar".

No domingo, verificaram-se várias derrocadas neste concelho duriense devido ao mau tempo, designadamente a precipitarão intensa, tendo-se verificado um caso em que moradores, na freguesia de Vilarinho dos Freires, ficaram sem acesso direto às suas casas.

Também a estrada de ligação da aldeia de Covelinhas à de Galafura sofreu uma derrocada e, no local, a circulação faz-se apenas por uma das faixas de rodagem.

O autarca disse que o dia de hoje é de limpeza e desobstrução das vias, "no sentido de repor o mais rapidamente possível a normalidade", bem como de avaliação dos estragos.

"Mas, de facto, os prejuízos continuam a aumentar", apontou, dando como exemplo a intervenção que vai ser feita na estrada entre a barragem de Bagaúste e Covelinhas, depois de uma derrocada em dezembro e do risco de queda de pedras na encosta.

Tendo por base a informação do Agência Portuguesa do Ambiente e do Centro de Previsão e Prevenção de Cheias do Douro, a Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC) avisou no domingo, em comunicado, que o rio Douro atingiu "valores de referência elevados".

A ANEPC avisou na mesma nota que o aumento do caudal poderia causar inundações em "zonas historicamente mais vulneráveis", recomendou à população para não se expor às zonas afetadas pelas cheias e que não atravesse zonas inundadas, pedindo ainda à população para adotar medidas preventivas "que permitam mitigar danos pessoais e materiais".