Sociedade

Do fim de uma guerra, aos acordos para salvar o planeta e progressos na ciência: 22 notícias boas que ficam de 2022

Ativistas em protesto durante COP15, no exterior da sala onde estava a ser finalizado o acordo de Kunming-Montreal, no qual ONU estabeleceu objetivo de proteger 30% do planeta até 2030

andrej ivanov

Num mundo em várias crises, as notícias positivas acabam muitas vezes ofuscadas, despercebidas ou esquecidas. O Expresso reuniu 22 dessas notícias para deixar um sabor melhor de 2022

29 dezembro 2022 14:54

“Permacrise”. Ou “um longo período de instabilidade e insegurança, especialmente resultante de uma série de eventos catastróficos”. Para o dicionário Collins, esta é a palavra do ano no Reino Unido.

O termo tem vindo a ser repetido no meio académico e comunicação social. E parece apropriado para descrever os últimos anos da nossa existência coletiva.

Depois de uma crise pandémica, 2022 fica marcado pelo regresso da guerra à Europa, pela inflação galopante, pela continuação do agravamento da crise climática, pelas ameaças à Democracia e Direitos Humanos por todo o mundo.

O cenário não é o mais otimista e as coisas más tendem sempre a ficar mais presentes na memória, mas nem tudo é péssimo. O Expresso reuniu 22 notícias positivas para recordar 2022, procurando deixar um sabor melhor do ano que agora termina.

1.

A resistência ucraniana e a união no Ocidente para apoiar a Ucrânia

A invasão da Ucrânia, a 24 de fevereiro de 2022, num conflito que se prolongava desde 2014, apanhou muitos de surpresa. A guerra voltou em larga escala à Europa e gerou a mais rápida crise de refugiados desde a Segunda Guerra Mundial. Num mês, 10 milhões de pessoas foram forçadas a fugir das suas casas.

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PRECES — Aos sons das sirenes, esta ucraniana de Kiev deposita em Deus a esperança do regresso à paz, num conflito que opõe irmãos da mesma fé
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PRECES — Aos sons das sirenes, esta ucraniana de Kiev deposita em Deus a esperança do regresso à paz, num conflito que opõe irmãos da mesma fé

daniel leal / afp / getty images

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ÊXODO — Mulheres e crianças, como estas já a salvo do outro lado da fronteira com a Eslováquia, receberam ordem para partir. Os homens ficaram, para defender o país
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ÊXODO — Mulheres e crianças, como estas já a salvo do outro lado da fronteira com a Eslováquia, receberam ordem para partir. Os homens ficaram, para defender o país

peter lazar / afp / getty images

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SOBREVIVÊNCIA — Um esforço para cumprir rituais quotidianos de sempre, por ruas ladeadas por edifícios esventrados e sem vida
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SOBREVIVÊNCIA — Um esforço para cumprir rituais quotidianos de sempre, por ruas ladeadas por edifícios esventrados e sem vida

dimitar dilkoff / afp / getty images

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ESPERA — Este ucraniano de Kharviv acredita que a sua cidade tem defesa possível, apesar de russófona e da proximidade ao território da Rússia
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ESPERA — Este ucraniano de Kharviv acredita que a sua cidade tem defesa possível, apesar de russófona e da proximidade ao território da Rússia

sergey bobok / afp / getty images

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DOR — Os olhos desta mulher fecham-se intuitivamente, como que a negar toda a tragédia que se abateu sobre Irpin, acabada de ser bombardeada
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DOR — Os olhos desta mulher fecham-se intuitivamente, como que a negar toda a tragédia que se abateu sobre Irpin, acabada de ser bombardeada

aris messinis / afp / getty images

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CAOS — Palco de um massacre de civis ucranianos, a cidade de Bucha tornou-se também um cemitério de equipamentos militares russos
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CAOS — Palco de um massacre de civis ucranianos, a cidade de Bucha tornou-se também um cemitério de equipamentos militares russos

aris messinis / afp / getty images

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FUGA — Aproveitando uma trégua nos combates, habitantes de Irpin fogem através de uma ponte partida, levando pouco mais do que a roupa do corpo
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FUGA — Aproveitando uma trégua nos combates, habitantes de Irpin fogem através de uma ponte partida, levando pouco mais do que a roupa do corpo

dimitar dilkoff / afp / getty images

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DESPEDIDA — É um ‘até já’ incerto, na estação ferroviária de Odessa. A menina vai para porto seguro, o pai fica para ir à guerra
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DESPEDIDA — É um ‘até já’ incerto, na estação ferroviária de Odessa. A menina vai para porto seguro, o pai fica para ir à guerra

bulent kilic / afp / getty images

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SOBERANIA — As cores da Ucrânia galgaram fronteiras e tornaram-se um símbolo de resistência, em todo o mundo
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SOBERANIA — As cores da Ucrânia galgaram fronteiras e tornaram-se um símbolo de resistência, em todo o mundo

alexey furman / getty images

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MORTE — Neste cemitério de Kharkiv, as bandeiras da Ucrânia identificam as sepulturas de militares, que deram a vida pelo país
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MORTE — Neste cemitério de Kharkiv, as bandeiras da Ucrânia identificam as sepulturas de militares, que deram a vida pelo país

dimitar dilkoff / afp / getty images

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DESORIENTAÇÃO — Uma mão amiga transmite segurança a uma idosa assustada, durante a evacuação de Irpin
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DESORIENTAÇÃO — Uma mão amiga transmite segurança a uma idosa assustada, durante a evacuação de Irpin

andriy dubchak / getty images

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RESILIÊNCIA — É o que parece transmitir o ciclista ao atravessar uma rua de Bucha obstruída por destroços de veículos militares
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RESILIÊNCIA — É o que parece transmitir o ciclista ao atravessar uma rua de Bucha obstruída por destroços de veículos militares

chris mcgrath / getty images

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christopher furlong / getty images

Mas, contra todas as expectativas, a Ucrânia resistiu. O Kremlin esperava tomar Kiev em dois dias e o país em 15. Mas 308 dias depois, a luta persiste.

“Nunca vimos a Europa abrir assim a porta a refugiados”, afirmava Astrid van Genderen Stort (responsável do Alto-Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados) numa entrevista ao Expresso em julho. Países como a Hungria, anteriormente hostis à recepção de refugiados, abriram as suas portas aos ucranianos em fuga.

Mas a impressionante união do Ocidente em torno da Ucrânia não ficou por aqui. A UE aprovou nove pacotes de sanções contra o regime russo, os aliados enviaram milhares de milhões de euros em apoio militar e humanitário, parlamentos e reuniões ao mais alto nível convidaram Zelensky a discursar, até a NATO voltou dos escombros de uma crise de identidade. Este consenso é apontado pelos analistas como essencial ao sucesso ucraniano no terreno.

2.

As restrições de combate à pandemia foram aliviadas (e permaneceram aliviadas)

2022 voltou a arrancar com pressão nos serviços de saúde e o país a braços com uma nova vaga (a quinta) de casos de covid.

Janeiro foi um mês “sem par em toda a história do SNS24”, contava Luís Goes Pinheiro, presidente do conselho de administração dos Serviços Partilhados do Ministério da Saúde ao Expresso em fevereiro. Nesse mês, a linha de apoio do SNS atendeu “3,3 milhões de chamadas”, o triplo das atendidas em janeiro de 2021 (quando vivíamos a terceira vaga).

Mas ao contrário de 2021, a situação tendeu a estabilizar desde então. Com uma cobertura vacinal perto dos 100%, foi possível reduzir o número de mortes e casos graves de covid. Aos poucos o país abriu e permaneceu aberto. Os alunos voltaram às escolas, acabaram as restrições no comércio e serviços, as máscaras caíram em desuso.

“A situação está agora significativamente melhor”, admite a OMS. Em janeiro, a organização irá decidir se estão reunidos os critérios para a covid-19 deixar de ser uma emergência de saúde pública internacional. As vacinas do Ocidente tiveram em tudo isto um papel fundamental.

3.

Covax passou marco das mil milhões de vacinas para a Covid-19 administradas

Esta boa notícia chegou cedo. Logo a 15 de janeiro, a iniciativa da OMS entregou a vacina que totalizaria mil milhões de doses distribuídas.

Em novembro, a Reuters noticiava que estes números tinha já chegado aos 1.83 mil milhões de doses em 146 países. Não será, longe disso, o que se prometia, mas enfim o Ocidente deu um passo para ajudar quem pode menos.

4.

Multiplicaram-se os protestos pela liberdade

O retrato traçado pelo IDEA (Instituto Internacional para a Democracia e a Assistência Eleitoral) não é o mais otimista. Em 2022, “metade dos governos democráticos em todo o mundo está em declínio, enquanto os regimes autoritários estão aprofundando sua repressão”.

O ano fica, contudo, marcado por impressionantes manifestações pela liberdade em países onde tais sinais de protesto são raros.

No Irão, a morte de Mahsa Amini às mãos da polícia da moralidade desencadeou em setembro uma vaga de protestos que atravessou fronteiras e dura até hoje. No centro estão as mulheres, que se filmaram a cortar o cabelo e queimaram hijabs nas ruas, mas o protesto transformou-se rapidamente numa manifestação mais abrangente contra o regime dos ayatollahs.

“Não apenas eu, mas a maioria das pessoas estão a ver uma revolução a acontecer no Irão”, dizia ao Expresso em setembro Yasmin, uma ativista iraniana a viver em Portugal.

Jovens chineses utilizam folha de papel em branco para protestar contra a falta de liberdade de expressão

Jovens chineses utilizam folha de papel em branco para protestar contra a falta de liberdade de expressão

reuters/thomas peter

Na China, a manutenção da política “zero casos” no combate à pandemia provocou agitação social. Em novembro, os protestos em várias cidades (onde foram novamente implementados confinamentos obrigatórios) escalaram quando um incêndio matou dez pessoas confinadas. Muitos manifestantes saíram à rua com folhas em branco em sinal de protesto.

Foram momentos “significativos, porque desde Tiananmen que não tínhamos este tipo de manifestação nacional”, explicou ao Expresso Luís Mah, professor de Estudos de Desenvolvimento no ISCTE/Instituto Universitário de Lisboa. Verdade é que no início de dezembro, o regime chinês aliviou as restrições e sinalizou uma mudança na política de combate à covid-19.

No Afeganistão, o regime talibã tem aprovado sucessivas restrições desde que regressou ao poder. Na semana passada, baniu as mulheres de frequentarem as universidades. A proibição resultou numa vaga de manifestações em várias cidades.

5.

A democracia resistiu nos EUA

Afastado da Casa Branca há dois anos, Donald Trump continuou a ser notícia. Porque pediu a extinção da constituição para regressar ao poder, porque o comité que investigou a invasão do Capitólio recomendou que fosse acusado de quatro crimes federais, porque a sua residência em Mar-a-Lago foi alvo de buscas (entre outros problemas com a Justiça), porque jantou com supremacistas brancos.

O ex-Presidente dos EUA anunciou, contra a vontade da maioria dos norte-americanos e até sinais de relutância no próprio Partido Republicano, a sua recandidatura à Casa Branca. Mas a democracia resistiu em 2022.

A antecipada “onda vermelha” nas eleições intercalares de novembro não aconteceu. Os democratas continuam a controlar o Senado, a maioria alcançada pelos republicanos na Câmara dos Representantes foi magra, mais de metade dos candidatos apoiados por Trump não foi eleita (contabiliza o Politico).

6.

Depois de dois anos, há tréguas na guerra civil da Etiópia

Dias antes da guerra completar dois anos, o governo etiópe e os rebeldes de Tigray assinaram um acordo para a “cessação das hostilidades” no país.

O representante do Governo etíope, Redwan Hussien, e o delegado de Tigray, Getachew Reda, assinaram a trégua em Pretória, na África do Sul, sob os auspícios da União Africana, na pessoa do ex-Presidente nigeriano Olusegun Obasanjo

O representante do Governo etíope, Redwan Hussien, e o delegado de Tigray, Getachew Reda, assinaram a trégua em Pretória, na África do Sul, sob os auspícios da União Africana, na pessoa do ex-Presidente nigeriano Olusegun Obasanjo

siphiwe sibeko/reuters

O conflito causou um enorme nível de destruição e miséria, gerando no Tigray “a pior crise humanitária do mundo”, alertou o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus (natural desta região). Uma das prioridades será enviar apoio humanitário.

Devido ao isolamento em que o Tigray esteve nos últimos dois anos, não se sabe ao certo o verdadeiro impacto da guerra. A ONU estima que até meio milhão de pessoas foram mortas. Mais de dois milhões foram obrigadas a fugir e centenas de milhares sobrevivem em condições de quase inanição

7.

Foram dados passos para a igualdade de género no desporto

Depois de seis anos de luta, a seleção feminina de futebol dos EUA conseguiu garantir a igualdade salarial face à equipa masculina. O acordo com a federação fechado em fevereiro assegurou ainda uma compensação de 21 milhões de euros às jogadoras, por todos os anos em que competiram em desigualdade salarial.

Semanas antes, a liga norte-americana de futebol feminino fechou um acordo para assegurar aumento do salário mínimo, seguro de saúde ou baixa por doença (mais um passo no longo caminho para a igualdade salarial nesta competição).

Já em dezembro, no Qatar, Stéphanie Frappart tornou-se na primeira mulher a arbitrar um jogo do mundial.

Noutra modalidade, o Comité Olímpico anunciou que na próxima edição dos Jogos Olímpicos (Paris 2024), será possível a participação de homens na natação artística. “Estamos na altura de quebrar os paradigmas”, defendeu o Comité.

8.

Direitos LGBT avançaram em alguns pontos do mundo

Ainda há muito por fazer para eliminar definitivamente a descriminação contra a comunidade, mas em 2022 foram dados alguns passos nesse sentido por todo o mundo.

Nos últimos 365 dias:

  • França, Grécia, Israel e Canadá baniram as “terapias de conversão”;
  • O Supremo da Eslovénia considerou que a proibição legal do casamento e adoção por pessoas do mesmo sexo é ilegal e deu ordens ao parlamento para emendar a lei num prazo de seis meses;
  • Singapura descriminalizou as relações sexuais homossexuais;
  • O governo japonês passou a reconhecer a união de facto entre pessoas do mesmo sexo;
  • O Congresso dos EUA aprovou uma garantia federal que protege o casamento entre pessoas do mesmo género.
Protestos em França contra as “terapias de conversão” Foto: Getty Images

Protestos em França contra as “terapias de conversão” Foto: Getty Images

9.

Perdas e compensações entraram finalmente para agenda global sobre o clima

Há muito que o tema era defendido pelos países menos ricos e mais afetados pelas alterações climáticas. Pela primeira vez, foi incluído como um tópico central da agenda na COP27.

Depois de impasses e atrasos, a Conferência do Clima da ONU fechou com um “acordo histórico” que estabelece a criação de um fundo de financiamento dos "particularmente vulneráveis” aos efeitos da crise climática.

10.

Cimeira da ONU assumiu compromisso para travar poluição de plástico

Em março, 175 nações deram um passo importante no combate à “epidemia do plástico” ao assinarem “uma resolução histórica” para travar a poluição por este tipo de material.

O acordo saiu da 5ª Assembleia da ONU para o Ambiente (UNEA 5.2) estipula a criação de uma comissão intergovernamental que irá negociar os termos do tratado que deverá entrar em vigor até 2024.

Por outro lado, os cientistas descobriram uma forma de destruir “químicos eternos” (PFAS) e um verme capaz de ajudar a degradar plástico.

11.

Países devolveram território a povos indígenas e assumiram compromissos para proteger a natureza

A COP15, realizada este mês, concluiu com um acordo histórico para proteger 30% do planeta até 2030 e canalizar 30 mil milhões de dólares em ajuda anual à conservação nos países em desenvolvimento.

Por todo o mundo, governos tomaram decisões a favor da natureza:

  • Na Califórnia, uma extensão de 212 hectares de floresta vermelha foi devolvida aos descendentes de tribos nativo-americanas;
  • No Equador, o Supremo decidiu a favor de conceder maior autonomia às comunidades indígenas, conferindo-lhes também um maior poder de intervenção perante projetos de extração que possam ter impacto nos seus territórios;
  • Em Inglaterra, foi criada a primeira “super-reserva” de pantanal em Somerset. São 6070 hectares protegidos;
  • No Brasil, Lula da Silva prometeu travar a deflorestação (que disparou durante os anos da presidência de Bolsonaro) e reativar o Fundo Amazónia (que permite a países terceiros financiar a conservação desta floresta e estava bloqueado há três anos).

12.

Algumas espécies deixaram de estar em vias de extinção ou ameaçadas

Não há dúvida que a lista de espécies em risco continua a crescer a um ritmo alarmante. Ainda assim, 2022 trouxe-nos exemplos de esperança.

A edição anual do Wildlife Comeback Report dá conta de sinais positivos na recuperação das populações de espécies como castores, bisontes, pelicanos e linces, em muitos casos fruto de programas de reintrodução.

Mas as notícias boas não ficam por aqui.

Pela primeira vez em mais de quatro décadas, Moçambique voltou a ser casa de rinocerontes. Os 19 animais foram reintroduzidos no Parque Nacional do Zinave.

No Ártico, a população de baleias comuns parece estar novamente a crescer. Uma investigação publicada na Nature contabilizou 150 grupos destes animais.

vano shlamov/getty

Segundo a União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN, a organização que mantém a lista vermelha das espécies ameaçadas), os esforços de conservação dos tigres estão a dar resultados. A atualização divulgada em julho informa que o número de espécimes aumentou 40% desde 2015.

E isto num ano em que 186 nações votaram a favor de regular o comércio de barbatanas de tubarões, procurando finalmente respostas para o problema da sobrepesca que tem empurrado muitas espécies na direção da extinção.

13.

O mundo superou um terawatt de energia solar instalada

Segundo o Global Market Outlook for Solar Power 2022-2026 que a energia solar continua a crescer a nível mundial. Depois de duplicar em três anos, a potência instalada supera atualmente 1 TW. Há agora painéis solares instalados em número suficiente para dar resposta às necessidades energéticas do conjunto de quase todos os países europeus.

14.

Fusão nuclear produziu pela primeira vez mais energia do que a consumida

Este mês, cientistas norte-americanos realizaram uma experiência pioneira que é considerada um avanço significativo no uso da tecnologia de fusão nuclear. Foi mais passo no sentido de produzir energia limpa, barata e quase ilimitada.

15.

Novidades do Espaço com Artemis e James Webb

Meio século depois da missão Apollo, os EUA voltaram a lançar um foguetão lunar. A missão não tripulada Artemis I foi um sucesso. Como previsto, o foguetão mais potente alguma vez construído pela NASA foi lançado a partir do Centro Espacial Kennedy, na Flórida, e a cápsula que libertou, a Orion, esteve em órbita 25 dias antes de regressar à Terra.

Este foi um ensaio para o que poderá vir a ser um regresso do Homem à lua (ou antes a Marte).

Lançado no Natal de 2021, o telescópio James Webb foi várias vezes notícia este ano ao trazer-nos fotogragias inéditos do nosso universo, desde a mais nítida imagem dos anéis de Neptuno, às imagens “surpreendentemente precisas” de Júpiter e à imagem mais profunda alguma vez captada do Universo.

“Creio que não vai demorar um ou dois anos até estarmos a falar de existência de vida [fora do planeta Terra] devido ao James Webb”, comentava o astrofísico José Afonso em entrevista ao Expresso em julho.

ESPAÇO. Os mistérios do universo primordial, captados pelo telescópio James Webb, ao estilo de uma pintura

ESPAÇO. Os mistérios do universo primordial, captados pelo telescópio James Webb, ao estilo de uma pintura

nasa / reuters

16.

Novos projetos apontam rota para uma aviação com emissões reduzidas

A companhia aérea espanhola Air Nostrum encomendou 10 aeronaves com emissões reduzidas à fabricante Hybrid Air Vehicles para operarem em voos domésticos. Os modelos são híbridos, sendo parte elétricos.

Na Suécia, a startup Heart Aerospace apresentou um avião totalmente elétrico com capacidade para transportar 30 passageiros. No Reino Unido, o projeto Sherwood eKub completou dois voos de teste com zero emissões.

Isto quando os países reunidos na ICAO (Organização da Aviação Civil Internacional) chegaram a um acordo de apoiar o objetivo a longo prazo de descarbonizar a indústria até 2050. A resolução foi criticada pela falta de ambição.

Em França, os voos domésticos de curta duração foram suprimidos. O país vai deixar de ter ligações de avião nos casos em que as deslocações possam ser realizadas de comboio em menos de duas horas e meia.

17.

Progressos científicos aproximam-se de cura e vacina para HIV

Aquela que poderá vir a ser a primeira vacina contra o vírus da SIDA entrou este ano na primeira fase dos ensaios clínicos em humanos. Segundo anunciou a Moderna em janeiro, a primeira dose foi administrada a 60 participantes nos EUA.

Noutro estudo, uma mulher infectada com HIV foi considerada curada depois de ter sido submetida a um tratamento inovador com recurso a sangue do cordão umbilical. É o terceiro caso de cura registado, noticiou o New York Times.

18.

Avanços na investigação sobre cancro

Também na investigação do cancro foram noticiados avanços promissores.

Uma investigação norte-americana desenvolveu uma forma de diagnosticar precocemente até 50 tipos de cancro através de uma análise de sangue em pessoas sem sintomas.

Um outro ensaio clínico também em Nova Iorque fez desaparecer os tumores de 18 pacientes.

Este mês, a leucemia “incurável” de uma adolescente foi curada com recurso a uma terapia genética “revolucionária”.

Alyssa tinha leucemia "incurável", mas foi curada por tratamento genético "revolucionário"

Alyssa tinha leucemia "incurável", mas foi curada por tratamento genético "revolucionário"

dr

19.

Portugal vai ter 300 casas ligadas com energia das ondas do mar

Com a entrada em funcionamento do primeiro de quatro conversores, instalado ao largo da Póvoa de Varzim, o projeto da sueca CorPower Ocean apontava inserir na rede elétrica 300 quilowatts em novembro. À Lusa, Miguel Silva, o responsável do projeto, disse também que os restantes equipamentos (produzidos em Viana do Castelo) deverão entrar em funcionamento em 2024 e 2025, antecipando uma produção de 1,2 megawatts (o suficiente para alimentar mil habitações).

20.

O desemprego atingiu os valores mais baixos da última década em Portugal

Apesar da guerra, inflação e retração da economia, Portugal registou no segundo trimestre deste ano a taxa de desemprego mais baixa desde pelo menos 2011 (5,7%).

21.

Houve progressos na discussão sobre a semana de quatro dias

A pandemia empurrou-nos para casa, normalizou o teletrabalho e reacendeu discussões sobre a forma como o trabalho está organizado. Uma delas, a semana de 4 dias, teve no último ano novos desenvolvimentos que culminaram com o governo a anunciar um projeto-piloto para testar a medida na prática.

22.

Jovens atletas nacionais levaram Portugal aos pódios mundiais

2022 foi também um ano para Portugal sonhar em várias modalidades.

Na natação, Diogo Ribeiro foi ao mundial no Peru em setembro para conquistar três medalhas de ouro e um recorde mundial. Com 18 anos, o jovem (que ainda devia estar a recuperar de um acidente de mota) sonha com os Jogos Olímpicos.

Já em novembro, Gustavo Ribeiro sagrou-se o primeiro campeão mundial de skate português. Com 21 anos, é o único atleta luso no mais importante circuito da modalidade, soma pódios e prémios e foi o único representante nacional nos Jogos Olímpicos de Tóquio em 2021.

E ainda, Pedro Pablo Pichardo faz o pleno. Depois do ouro olímpico e mundial, sagrou-se este ano campeão europeu de triplo salto ao saltar 17.50, quase mais meio metro do que o segundo classificado.

Este texto faz parte de um conjunto de conteúdos que o Expresso publica para falar diretamente com os leitores mais jovens e sobre aquilo que os afeta mais de perto. Tem dúvidas, sugestões ou críticas? Envie-me um e-mail.