Sociedade

Ativistas retirados pela PSP da Faculdade de Letras vão estar na Marcha do Clima

12 novembro 2022 13:24

Este é um sábado de luta contra as alterações climáticas e as manifestações sucedem-se por todo o mundo. Lisboa não é exceção. A coordenadora do Bloco de Esquerda exige explicações da Faculdade de Letras sobre a intervenção da PSP que levou à retirada, na noite passada, de estudantes em protesto. A polícia fala em desobediência à ordem de dispersão

12 novembro 2022 13:24

A coordenadora do Bloco de Esquerda, Catarina Martins, quer saber se foi a direção da FLUL [Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa] quem pediu a intervenção da polícia para afastar os estudantes que lutam pelo clima. “A direção da FLUL pediu a intervenção da polícia para afastar os estudantes que lutam pelo clima? se alguém esqueceu os princípios básicos da democracia, não foram os estudantes”, escreveu Catarina Martins no Twitter.

Catarina Martins diz que “a Universidade de Lisboa tem muito a explicar”, sobre a intervenção policial para afastar ativistas climáticos que ocupavam Faculdade de Letras: “Que cheiro a bafio. Um bafio fóssil”, acrescentou.

Nove membros do movimento estudantil "Fim ao Fóssil: Ocupa!" - parte do grupo estudantes ativistas do clima que ocupavam Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa desde segunda-feira - deixaram a Faculdade às 23h40 de sexta-feira.

Num comunicado onde perguntam “o que vão dizer aos vossos filhos?”, os ativistas ambientais da organização Fim ao Fóssil revelaram que a PSP expulsou uma dezena de estudantes e deteve outros outros quatro ativistas que estava na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa: “Os ativistas encontravam-se agarrados ao chão por super-cola, e presos por tubos de ferro e PVC uns aos outros, exigindo o fim aos combustíveis fósseis até 2030, e a demissão do atual ministro da economia e do mar pelas suas ligações à indústria petrolífera”.

A Polícia de Segurança Pública garante que "apenas foi utilizada a força estritamente necessária” para deter os quatro ativistas climáticos que desde segunda-feira ocupavam a Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.

Num comunicado, o Comando Metropolitano de Lisboa da PSP sublinhou que a detenção dos ativistas, “por desobediência à ordem de dispersão”, “foi objeto de amplas filmagens por parte dos visados”.

"Resistimos porque ainda não fomos ouvidos. A normalidade parou de ser viável há muito tempo, e quem tem poder de o declarar e agir sobre isso continua a ignorar esse facto. Até lá, agimos contra a nossa vontade como se a nossa casa estivesse a arder, porque está.", diz Ana Carvalho, porta-voz da faculdade de Letras.

Solidária com os estudantes está a professora da FLUL, Margarida Vale de Gato, professora da FLUL, que considera a causa do clima uma causa urgente pela qual todas as pessoas se devem responsabilizar e que os atuais órgãos de decisão não podem esperar pelo sacrifício dos mais jovens.

Esta tarde os ativistas climáticos promovem uma manifestação em Lisboa.