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“A falta de conhecimento leva a uma transfobia. As pessoas rejeitam, olham para a disforia de género como uma invenção”

“A falta de conhecimento leva a uma transfobia. As pessoas rejeitam, olham para a disforia de género como uma invenção”
RUI DUARTE SILVA
A psiquiatra Zélia Figueiredo reformou-se há poucos meses. Dedicou a vida à comunidade trans e tornou-se ativista contra a ‘psiquiatrização’ da disforia de género. No distanciamento que agora lhe permitem as horas vagas, e ainda na busca de as saborear, discorre sobre o preconceito que ainda se faz sentir na sociedade portuguesa em relação àquela que considera ser a sua “nova família”
“A falta de conhecimento leva a uma transfobia. As pessoas rejeitam, olham para a disforia de género como uma invenção”

Joana Ascensão

Jornalista

“A falta de conhecimento leva a uma transfobia. As pessoas rejeitam, olham para a disforia de género como uma invenção”

Rui Duarte Silva

Fotojornalista

Foram 38 anos de psiquiatria e é ‘psiquiatra’ que tem na lapela médica. Mas desde os primeiros anos deste século que, nos corredores do hospital psiquiátrico Magalhães Lemos, no Porto, passou a ser conhecida como a médica que atendia os transexuais, hoje denominados pessoas trans.

Abriu uma das primeiras consultas no Porto, numa altura em que só existiam em Lisboa e em Coimbra. Fundou uma das primeiras associações de apoio à comunidade trans, dissolvida anos depois, por falta de apoios. Envolveu-se com uma área que inicialmente “desconhecia por completo” e tornou-se mais do que médica, do lado de lá do gabinete. Hoje, mesmo fora do hospital, continua a dar algumas consultas e trabalha como consultora no projeto de criação de um serviço multidisciplinar de atendimento a pessoas trans no Centro Hospitalar e Universitário do Porto.

Seis meses depois de se ter reformado, na sala de sua casa, Zélia Figueiredo recorda ao Expresso as histórias sobre o preconceito, o medo e a evolução da sociedade face à diferença. As leis progressistas asseguram mudanças na vida das pessoas? Poderão as crianças saberem-se trans? E a discussão das casas de banho, é válida?

Comecemos pelo final. Agora que se reformou, as pessoas trans ficam em boas mãos?
Essa é a pergunta mais interessante, a que mais me faz pensar. Tanto que, há uns meses, quando soube que me ia reformar, esta mesma questão deixou-me com uma sensação agridoce. Havia ainda muitas coisas que eu achava não ter completado. Mas creio que consegui encontrar um meio-termo. Vou ainda algumas vezes ao Hospital de Santo António fazer um ou outro atendimento e estou sempre disponível para falar com as pessoas.

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