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Ministro das Infraestruturas quer reativar Linha do Douro até à fronteira: troço Pocinho/Barca D'Alva estimado em € 75 milhões

Ministro das Infraestruturas quer reativar Linha do Douro até à fronteira: troço Pocinho/Barca D'Alva estimado em € 75 milhões
MIGUEL PEREIRA DA SILVA

Estudo das Infraestruturas de Portugal e da CCDR-N avalia positivamente rentabilidade económica, social e ambiental da reabertura do troço de 28 quilómetros desativados desde 1998. Pedro Nuno Santos diz que o concurso público para a elaboração do estudo prévio e o projeto de reativação será lançado no início de 2023

O ministro das Infraestruturas, Pedro Nuno Santos, anunciou, esta segunda-feira, que no primeiro trimestre de 2023 será lançado o concurso público para a elaboração do estudo prévio e o projeto de reativação da Linha do Douro entre o Pocinho e Barca d’Alva. “Vamos até ao fim e vamos explorar até ao fim o potencial desta grande região, das mais bonitas do mundo, explorar e aproveitar sempre com grande respeito ambiental este nosso diamante e com isso beneficiar toda a nossa população”, afirmou Pedro Nuno Santos.

O anúncio do ministro foi feito em Freixo de Espada à Cinta, distrito de Bragança, após a apresentação dos estudos de viabilidade económica, técnica e ambiental da reativação de 28 quilómetros do troço entre Pocinho e Barca d’Alva da Linha Ferroviária do Douro. O estudo para a reabilitação da Linha do Douro deste percurso foi realizado pela Comissão de Coordenação e Desenvolvimento da Região Norte (CCDR_N) e pelas Infraestruturas de Portugal.

A Linha Ferroviária do Douro atualmente liga o Porto ao Pocinho (171,522 quilómetros) e há vários anos que é defendida a reabertura do troço entre o Pocinho (Vila Nova de Foz Côa) e Barca d’Alva (Figueira de Castelo Rodrigo), desativado em 1988.

O ministro acabou por anunciar passos com vista à concretização do projeto que levará o comboio de novo até à fronteira e que é há muitos anos reivindicado pela população, autarcas e instituições. "O primeiro passo para nós podermos avançar para esse investimento é termos os estudos de viabilidade, os estudos prévios e o projeto feito e o nosso objetivo é lançar o concurso no primeiro trimestre de 2023”, afirmou Pedro Nuno Santos.

Questionado pelos jornalistas sobre a continuação do projeto do lado espanhol, Pedro Nuno Santos respondeu: “Nós temos que tratar do nosso país e de fazer aquilo que depende dos portugueses e é sobre isso que estamos a trabalhar”.

Antes, no seu discurso, já tinha dito que do outro lado (Espanha), Portugal pode continuar a fazer as suas “influências”. “Mas façamos pelo menos aquilo que depende de nós, sem nos estarmos sempre a desculpar porque os outros não vêm”, acrescentou. Esta é, frisou, em primeiro lugar uma “vitória do povo” desta região.

“Para nós é muito claro que a Linha do Douro tem um potencial único no mundo, que deve ser aproveitado em toda a sua plenitude e por isso nós queremos que o comboio chegue à fronteira”, sublinhou.

O estudo de viabilidade económica da reabilitação da Ligação Ferroviária Pocinho/Barca d’Alva, hoje apresentado, aponta para uma estimativa global de custos na ordem dos € 75 milhões, dos quais € 60 milhões serão destinados à obra de reabilitação, € 3,5 milhões para projetos e € 11,2 milhões para fiscalização e estaleiro. Os benefícios totais “são de € 84,2 milhões” e que o troço reaberto irá gerar “importantes impactos” no setor do turismo (hotelaria, restauração, transportes), permitindo mitigar a tendência de decréscimo da população residente.

O projeto tem uma dimensão regional, com impactos económicos principalmente nos municípios diretamente servidos por este troço, designadamente, Figueira de Castelo Rodrigo, Vila Nova de Foz Côa, Torre de Moncorvo e Freixo de Espada à Cinta, mas que se estendem a todo o território do Douro e a concelhos da região Centro. No total, são 22 os municípios beneficiários.

O estudo indica ainda que a reabertura deste troço da Linha do Douro representa uma redução do tempo de viagem em cerca de 30 minutos, quando comparado com a alternativa rodoviária existente. “É com projetos estruturantes que atraímos e mantemos o investimento privado", destacou a ministra da Coesão Territorial, Ana Abrunhosa.

Os impactos positivos são em boa parte justificados por “uma procura diária de 256 passageiros no primeiro ano e de um crescimento constante ao longo do tempo, com as principais motivações de lazer e turismo”. António Cunha, presidente da CCDR-N ‘desafiou’ o Governo da região vizinha de Castela e Leão a fazer o prolongamento da linha para lá da fronteira, tendo “enaltecido o papel da CIM Douro na elaboração deste estudo”.

No sector do turismo, conclui-se que a Linha do Douro entre Pocinho e Barca D'Alva, segundo o eftudo, no total de 26 anos de exploração do projeto "serão criados mais de 4700 postos de trabalho, diretos e indiretos, com impactos sobretudo na hotelaria e restauração.

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