Sociedade

Incêndios: autarca quer retomar projeto que une municípios da serra do Marão

30 agosto 2022 16:24

andrew merry

Objetivo é agir em conjunto em projetos de reflorestação e prevenção. Uma organização municipal que permita ter sapadores no Marão é uma das hipoteses traçadas

30 agosto 2022 16:24

Depois de ver o Marão fustigado pelos incêndios neste verão, o presidente da Câmara de Santa Marta de Penaguião quer retomar a ideia de unir os seis municípios que rodeiam esta serra em projetos de reflorestação e prevenção.

Cerca de 70 operacionais, apoiados por oito viaturas, permaneciam hoje, pelas 15:00, no sopé da serra, na zona da Senhora do Viso, em Fontes, concelho de Santa Marta de Penaguião, em ações de rescaldo e de vigilância após o incêndio que ali deflagrou no sábado à noite.

Este último fogo teve início às 23:45 e na zona foi encontrado pelos bombeiros um engenho artesanal, composto por enxofre em pó e um recipiente de gasolina, que se suspeita que possa ter estado na origem do incêndio.

O presidente da Câmara de Santa Marta de Penaguião, Luís Machado, suspeita de “mão criminosa”, sem conseguir “perceber os objetivos”, e ressalvou que o caso está ser investigado pelas entidades competentes (GNR e PJ).

Está a assistir-se, segundo afirmou à agência Lusa, a um movimento “quase circular” em volta da serra que o está a deixar "apreensivo".

Neste verão, as chamas atingiram o Marão pelo menos por Baião, por Vila Real, Peso da Régua e Santa Marta de Penaguião, neste último concelho com outro incêndio que, no final de julho, lavrou no cume da serra.

Luís Machado disse que a serra “está a ser fustigada” e que, se não chover, corre-se “o risco de ficar com o Marão todo queimado”.

No seu concelho, explicou, foi implementado um “sistema de vigilância” diurna através dos bombeiros de Fontes, que dispõem de duas motos-quatro, com as despesas asseguradas pela câmara.

Luís Machado referiu ainda que os incêndios lavraram em áreas de mato e pinhal, alertou para os prejuízos ambientais e defendeu que o “Marão precisa de uma intervenção conjunta”.

Por isso, na sua opinião, esta pode ser a oportunidade para os municípios que rodeiam a serra retomarem o “protocolo de intenções anunciado em 2015 e avançarem, eventualmente, para uma organização municipal que permita ter sapadores no Marão e fazer uma candidatura a sério para proteger a serra”.

Na altura, os municípios de Amarante, Baião, Mesão Frio, Peso da Régua, Santa Marta de Penaguião e Vila Real decidiram criar uma associação para promover o “renascimento” deste território e implementar projetos de reflorestação, de prevenção contra os incêndios e de promoção turística.

Luís Machado disse que o “modelo de gestão” acabou por travar o projeto, mas agora, defendeu, “está na altura” de os municípios recuperarem “essa lógica de organização territorial que permita desenvolver "um projeto conjunto” para reflorestar, reorganizar e proteger o Marão.

“No sentido de rapidamente nos organizarmos para tomarmos medidas de intervenção naquela área, de forma a protege-la, torná-la segura e criar riqueza”, salientou, apontando a necessidade de ajudar a manter ou atrair novos habitantes para este território.

O trabalho terá de ser efetuado em conjunto com o Instituto de Conservação da Natureza e Florestas (ICNF), mas, na sua opinião, as intervenções na serra, mesmo feitas por particulares, deveriam ter “um parecer” por parte das câmaras.

“As pessoas ao fazerem uma casa têm de ceder terreno para a via pública, então porque é que na floresta não têm que ceder terreno para criar faixas de segurança? Eu acho que o princípio tem que ser esse”, defendeu.

O Marão é, segundo apontou, muito procurado atualmente por praticantes de BTT e de caminhadas, mas também está a receber muitos visitantes de moto ou de carro que sobem até ao cimo da serra, na zona das antenas.

E, lá no alto, existe um observatório que o autarca disse estar em território de Santa Marta de Penaguião e que se pretende recuperar.

“Podemos ter um parque de campismo num dos municípios, um espaço de lazer noutro e podemos fazer locais de visitação ao longo de toda a serra, só que isso só é possível se nos juntarmos todos num projeto global que seja complementar. Se houver movimento diário na serra ela torna-se mais protegida”, frisou.