Sociedade

Estudo europeu concluiu que 26% dos magistrados portugueses acredita em juízes subornados. “Foi uma situação excecional”, diz o Governo

23 agosto 2022 18:20

Ministra da Justiça, Catarina Sarmento e Castro

antónio cotrim/lusa

Segundo o inquérito da Rede Europeia de Conselhos de Justiça, que contou com as respostas de 15.821 juízes de 27 países, 26% dos 494 magistrados judiciais portugueses inquiridos disseram acreditar que, durante os últimos três anos, houve juízes a aceitar, a título individual, subornos ou a envolverem-se em outras formas de corrupção

23 agosto 2022 18:20

A ministra da Justiça, Catarina Sarmento e Castro, relativizou hoje em Coimbra os dados de um estudo europeu sobre a perceção de corrupção na Justiça, alegando que dizem respeito a 2021, que foi “um ano excecional”.

“Foi uma situação absolutamente excecional”, disse Catarina Sarmento e Castro à agência Lusa no final de uma visita à sede e delegação regional do Centro do Instituto Nacional de Medicina Legal e Ciências Forenses (INMLCF), adiantando que o relatório “acontece em relação há um ano, que foi um ano muito particular em que houve ocorrências excecionais" envolvendo magistrados.

“Naturalmente, essas ocorrências excecionais não poderiam deixar de marcar a perceção que, do ponto de vista do senso comum, têm as pessoas em geral. E os juízes também são pessoas como nós, que vivem inseridos na sociedade”, sublinhou a ministra da Justiça.

Segundo o inquérito da Rede Europeia de Conselhos de Justiça, que contou com as respostas de 15.821 juízes de 27 países, 26% dos 494 magistrados judiciais portugueses inquiridos disseram acreditar que, durante os últimos três anos, houve juízes a aceitar, a título individual, subornos ou a envolverem-se em outras formas de corrupção.

Neste aspeto, Portugal ficou apenas atrás de Itália (36%) e Croácia (30%), igualando a percentagem da Lituânia (26%).

Na semana passada, a Associação Sindical de Juízes Portugueses (ASJP), através do seu presidente, Manuel Soares, expressou preocupação face aos dados do estudo sobre a independência dos magistrados e exigiu uma resposta do Conselho Superior da Magistratura (CSM) à perceção de corrupção na Justiça.

Reagindo à posição da ASJP, o CSM recusou depois uma “leitura apressada” dos resultados do inquérito, assegurando que iria estar atento e agir perante eventuais atos corruptivos.