Sociedade

Incêndios: Governo prepara-se para declarar “estado de calamidade” na Serra da Estrela

22 agosto 2022 13:55

Carla Tomás

Carla Tomás

Jornalista

nuno andré ferreira/lusa

O estado de calamidade vai ser decretado no próximo Conselho de Ministro e o balanço dos danos e prejuízos causados pelos incêndios na Serra da Estrela deverá estar concluído em 15 dias, anunciou a ministra de Estado e da Presidência Mariana Vieira da Silva, esta segunda-feira

22 agosto 2022 13:55

Carla Tomás

Carla Tomás

Jornalista

Os prejuízos ainda estão por apurar e serão necessários pelos menos 15 dias para que os municípios mais afetados e as entidades da administração central e regional façam o levantamento de todos os danos, mas o "Estado de Calamidade" será decretado brevemente pelo Conselho de Ministros. O anúncio foi feito pela ministra de Estado e da Presidência, Mariana Vieira da Silva, no fim de um encontro entre membros do Governo e autarcas dos sete concelhos mais atingidos pelo grande incêndio da Serra da Estrela.

Segundo a ministra, "a resposta imediata passa por apoio à alimentação animal, apoio social à população afetada e retirada da madeira queimada". Seguem-se duas semanas para levantamento dos danos causados e das medidas que devem ser colocadas no terreno "ao abrigo do 'estado de calamidade'". A terceira fase, apontada para setembro, passará pela aprovação de "um plano de revitalização do Parque Natural da Serra da Estrela" para tornar esta área protegida "mais resiliente", acrescentou Mariana Vieira da Silva em conferência de imprensa.

Até 22 de agosto, os incêndios já devastaram 94.119 hectares de território em Portugal Continental, e só o que ardeu na região da Serra da Estrela corresponde a um terço da área queimada no país (28 112 ha). As chamas consumiram 25% do segundo maior Parque Natural nacional (22 065 ha), maioritariamente entre 6 e 19 de agosto. Os concelhos mais atingidos foram os da Guarda (10 112 ha) e o de Manteigas (6 300 ha), e as freguesias mais afetadas foram as Verdelhos (Covilhã), Aldeia Viçosa, Famalicão, Fernão Joanes, Gonçalo e Valhelhas (Guarda), Sameiro e Vale de Amoreira (Manteigas) e Folgosinho (Gouveia), "todas com mais de 50% da sua superfície afetada", segundo informação do Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas.

No fim da reunião, que juntou seis ministros e sete autarcas dos concelhos da região da Serra da Estrela, o presidente da Câmara Municipal Manteigas, Flávio Massano, sublinhou "o sinal animador" dado pela presença de tantos governantes. "Conseguimos perceber que já foram postas em prática várias medidas de curto prazo e que estamos a ser acompanhados por vários membros do Governo", acrescentou.

Entre as medidas já em curso pelo Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) e pela Agência Portuguesa do Ambiente (APA) estão a estabilização de solos e trabalhos preparatórios para proteger as nascentes e as bacias dos rios Zêzere e Mondego, de onde é captada a água que abastece mais de um terço da população portuguesa.