Sociedade

Rios secos, água cortada, regas suspensas. Retratos de um país em seca extrema e severa

13 agosto 2022 8:38

Rui Duarte Silva

Rui Duarte Silva

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Fotojornalista

Em Forninhos, Aguiar da Beira, Agostinha Coelho procura água para encher um depósito de mil litros, um oitavo das necessidades diárias dos aviários que garantem o sustento da aldeia

Populações em desespero fazem o que podem para conseguir arranjar mais água

13 agosto 2022 8:38

Rui Duarte Silva

Rui Duarte Silva

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Fotojornalista

Em Alcoutim, às primeiras horas da manhã ainda se regam os jardins com água pública. O Guadiana mostra-se robusto, Odeleite tem 56 mil metros cúbicos na barragem, mas a ribeira é um fio de água. No outro lado do Algarve, no Barlavento, a bacia hidrográfica está no mínimo, com a Albufeira da Bravura a 11% da sua capacidade total. Alentejo acima, a lavoura continua a safra, a vindima está em curso e a água do Alqueva mantém os campos verdes. É preciso subir à Beira para perceber o desespero das populações. O Dão, rio que alimenta o Mondego, está a meio vau. A ribeira de Coja não tem pinga de água.

Em Forninhos, no concelho de ­Aguiar da Beira, “a água foi cortada durante a noite”, conta Agostinha Coe­lho. Na manhã de terça-feira, Agostinha conseguiu encontrar um poço para se abastecer. Mas a bomba do trator recusa-se a trabalhar. “Precisamos de água, vamos trocar de bomba e encher o pote.” O pote é um depósito de plástico, aramado, com um metro cúbico de capacidade. Estão por todo o lado. Em cima de carrinhas, nos tratores, à porta das casas, nas obras, nos aviários, nas hortas.