Sociedade

Uma em cada dez ambulâncias parada por falta de técnicos, 30% abandonaram a profissão: o que se passa, afinal, no INEM?

31 julho 2022 12:39

A remuneração-base destes profissionais ronda os €750. “Muitos saem para ganhar mais nos bombeiros ou na Cruz Vermelha”, diz o sindicato

d.r.

Sindicato e empresa argumentam estatísticas mas coincidem no essencial: há falta de recursos disponíveis

31 julho 2022 12:39

A Viatura Médica de Emergência Rápida (VMER) de Faro estava ocupada. É este carro o mais especializado, aquele que transporta uma equipa, médico e enfermeiro. O caso pedia uma VMER: um homem de 70 anos ia já na quarta convulsão, precisava de ser assistido no local e transportado rapidamente para o hospital. Contudo, sem ambulâncias livres no concelho, decide-se enviar para o local uma moto de emergência médica. “O técnico de emergência pré-hospitalar informa que não tem condições para manter a vítima no local devido ao agravamento da situação. Propõe colocar a vítima no carro com o familiar e acompanhar o transporte ao hospital”, lê-se no relatório do INEM, partilhado com o Expresso. Eram 18h e o homem ficou mais de uma hora à espera de uma ambulância numa rua de Alportel. Não sobreviveu.

Nem na zona do país nem no que levou a vítima a pedir ajuda este caso pode relacionar-se com o da mulher de 83 anos que caiu num passeio em Campolide, Lisboa, no dia 18 de julho. Mas em tudo o resto a história se assemelha. Também ela corria risco de vida, precisava de auxílio imediato, e para ela naquele dia e naquela zona do país faltou uma ambulância entre as 29 entidades contactadas. Esperou mais de hora e meia e acabou por morrer, já no hospital.