Sociedade

Incêndios em Portugal. Mais de dois mil operacionais combatiam 50 incêndios ao final da tarde desta segunda-feira

18 julho 2022 20:12

Incêndio em Ansião, Leiria

paulo novais

Proteção Civil assinala seis ocorrências preocupantes. Vila Real é o distrito onde estão mobilizados mais meios

18 julho 2022 20:12

No primeiro de dois dias nos quais todo o território continental está em situação de alerta pela Proteção Civil, as regiões a norte no continente são hoje as mais afetadas pelas chamas.

De acordo com o mapa interativo disponível no site da Proteção Civil, pelas 19h45 registavam-se em Portugal 50 incêndios rurais. Destes, dez estavam ativos, seis em fase de resolução e 34 em conclusão. No total, estas ocorrências mobilizavam 2034 operacionais apoiados por 603 meios terrestres e 14 meios aéreos.

Porto é o distrito que por esta hora registava o maior número de incêndios rurais (12). No entant, é em Vila Real que estavam concentrados mais meios. Os quatro incêndios neste distrito estavam a ser combatidos por 695 operacionais, 218 veículos e cinco aeronaves.

Vila Real é o distrito que por esta hora registava o maior número de incêndios rurais (quatro). Estavam no terreno 695 operacionais, 218 meios terrestres e cinco.

Pelas 19h00, a Proteção Civil destacava seis ocorrências importantes (designação atribuída a ocorrências com duração superior a 3 horas e com mais de 15 meios de proteção e socorro envolvidos).

Destes, incêndio em Murça (Vila Real) é o que reúne maior número de operacionais (256), meios terrestres (87) e meios aéreos (5).

Segue-se o fogo na Guarda, que deflagrou na Quinta do Zambito, onde estão 242 operacionais, 72 meios terrestres e 6 meios aéreos.

Com mais de uma centena de operacionais destacam-se igualmente dois incêndios em Vila Real, o de Vales (213) e o de Bustelo (170).

Casal de idosos encontrado morto em carro carbonizado em Murça

Um casal com mais de 80 anos foi esta segunda-feira encontrado morto, dentro de uma carro que se tinha despistado, na aldeia de Penabeice, no concelho de Murça, revelou à Lusa o presidente da Câmara de Murça. Segundo Mário Artur Lopes, o acidente deu-se “numa zona queimada e o carro estava carbonizado”.

A GNR está a fazer a investigação do acidente que ocorreu num concelho em que metade do seu território, a norte, está em chamas.

Incêndio obrigou a corte da A25 na Guarda e queima carros

Também a norte, o fogo obrigou ao corte da autoestrada A25 entre Guarda e Celorico da Beira.

Segundo a Lusa, que cita fonte do Comando Distrital de Operações de Socorro (CDOS) da Guarda, a autoestrada A25 (Aveiro/Vilar Formoso) está encerrada em ambos os sentidos, entre os nós de Guarda e de Celorico da Beira, desde as 18:00. O trânsito está a ser desviado pela Estrada Nacional 16.

Pelas 19h30, a aplicação Waze confirmava que a interdição se mantinha. Devido ao fogo, pelas 18h00, continuavam fechados à circulação rodoviária o troço do Itinerário Principal n.º 5 (IP5) entre Porto da Carne e Alvendre, e a estrada municipal que serve a freguesia de Alvendre e de acesso ao IP5, no sentido descendente.

Em causa está um incêndio que deflagrou pelas 14h15 numa zona de mato, perto da Quinta do Zambito, junto da cidade da Guarda.

Segundo fonte do Comando Territorial da GNR da Guarda disse à Lusa que as chamas atingiram três viaturas na passagem pela aldeia de Alvendre. “Os proprietários [das viaturas] ausentaram-se e quando chegaram já tinham sido atingidas” pelo fogo, segundo a fonte.

O incêndio também esteve perto da aldeia de Carapito, próximo da cidade da Guarda, mas não atingiu habitações, disse.

Carro da GNR ardeu em Vila Pouca da Aguiar, não há feridos

Também na Guarda, mas em Vila Pouca de Aguiar, uma viatura pesada de combate a incêndios da GNR foi hoje atingida pelas chamas no incêndio, tendo os militares saído ilesos, revelou à Lusa fonte da Guarda.

Em resposta à Lusa, o comando geral da GNR revelou que o acidente ocorreu em Vales. “Uma viatura pesada de combate a incêndios, da Companhia de Ataque Estendido (CATE) de Aveiro, da Unidade de Emergência de Proteção e Socorro (UEPS), encontrava-se a posicionar os seus meios para iniciar trabalhos no teatro de operações de Vales, em Vila Pouca de Aguiar, Vila Real, quando foi atingida pelo fogo”.

E prossegue: “tal deveu-se a alterações repentinas das condições meteorológicas que, juntamente com a forte intensidade do incêndio, fez deslocar a frente do incêndio na direção da viatura que já estava posicionada”. Apanhados pela “velocidade da propagação”, aos militares “não foi possível retirar a viatura (…) abandonando a mesma para salvaguardar a sua integridade física”.

A informação da GNR, que não revela nem a hora da ocorrência nem o número de militares que seguiam na viatura, garante, contudo, “que não foram registados feridos”.

Fogo em Bustelo (Chaves) passou para território espanhol

O incêndio de Bustelo, que começou sexta-feira no concelho de Chaves, teve hoje uma “reativação muito violenta”, tendo já passado para território espanhol, disse à agência Lusa o Comandante Distrital de Operações de Socorro (CDOS) de Vila Real, Miguel Fonseca.

A meio da tarde, o fogo tinha uma frente que ardia “com muita intensidade" não havendo, contudo, populações em risco, contou.

As chamas já passaram para o lado espanhol, estando a ser combatido por um contingente desse mesmo país, explicou.

Amarante estima mil hectares de área ardida na serra do Marão

O incêndio que lavrou vários dias na serra do Marão, nos concelhos de Baião e Amarante, no distrito do Porto, deverá traduzir-se numa área ardida de mil hectares, estimou hoje a autarquia de Amarante. Segundo o município, os dados “não são oficiais”, porque o levantamento está ainda a ser realizado, em conjunto com Baião.

À Lusa, fonte do município indicou que a área ardida afetou sobretudo zonas de matos no lado de Amarante, nas freguesias de Carneiro e de Bustelo. Durante o dia, acrescentou, ainda se realizaram trabalhos de rescaldo e vigilância, para evitar reacendimentos.

Temperaturas deverão voltar a subir a partir de quarta-feira

Depois de uma semana de temperaturas recorde em Portugal continental, a onda de calor movimentou-se para norte e está agora a afetar outros países da Europa Ocidental, nomeadamente Inglaterra, França e Espanha.

Em Portugal, para esta segunda-feira estava prevista uma descida de temperatura. De acordo com o IPMA, a temperatura máxima deverá ter variado entre 23 e 36°C, enquanto a mínima entre 15 e 21°C nas capitais de distrito. Para esta segunda e terça-feira há ainda a probabilidade (baixa) de ocorrência de precipitação nas regiões do litoral Norte e Centro (30 a 60%).

"A temperatura tenderá a subir ligeiramente para valores típicos da época ao longo da semana", acrescenta o instituto numa comunicação nas redes sociais.