Sociedade

“Fazer fogueiras ou usar maquinaria agrícola que faz faísca pode dar prisão”, alerta presidente da AGIF

8 julho 2022 16:53

Carla Tomás

Carla Tomás

Jornalista

miguel pereira da silva

Em seis meses “foram registados 2.460 crimes de incêndio florestal” e mais de 60% dos fogos registados em 2022 devem-se “ao uso negligente do fogo”. O Presidente da Agência para a Gestão Integrada de Fogos Rurais, Tiago Oliveira, lembra que fazer queimas e fogueiras ou usar maquinaria proibida “dá pena de prisão”

8 julho 2022 16:53

Carla Tomás

Carla Tomás

Jornalista

Com nove dos 18 distritos de Portugal continental em alerta laranja a partir da meia-noite e os restantes em alerta amarelo, devido ao risco elevado de incêndio florestal, todo o cuidado é pouco. E, “os cidadãos em geral têm de ter consciência de que neste quadro de elevadas temperaturas têm de ajudar a prevenir, e não a originar, incêndios”, frisa o presidente da Agência para a Gestão Integrada de Fogos Rurais (AGIF).

Tiago Oliveira lembra que “fazer fogueiras para queimar sobrantes agrícolas, ou usar maquinaria, como motorroçadoras, que fazem faísca e podem originar incêndios dão pena de prisão”. Por isso, apela ao bom senso dos cidadãos no mundo rural ou peri-rural, tendo em conta que, com as condições meteorológicas atuais, se deflagrarem fogos em catadupa, “o dispositivo de combate não vai ter capacidade para os controlar”. Isto mesmo com o reforço de meios para operações de vigilância, fiscalização e patrulhamento dissuasor de comportamentos e de apoio geral às operações de proteção e socorro.

E reforça: “Os meios de combate são finitos. A prevenção é a melhor resposta. Se reduzirmos o número de incêndios, a maioria causados por negligência ou por fogueiras, queimas e queimadas, nos dias de risco, conseguiremos evitar o pior.” Este é também o lema da campanha “Portugal Chama. Por si. Por Todos”. E as regras são simples: não foguear, queimar sobrantes ou usar máquinas para limpar ervas, silvas, mato ou floresta; não fumar em campo seco ou floresta, nem atirar beatas pela janela enquanto conduz.

2.460 crimes de incêndio florestal em 2022

O Expresso apurou que dois dos quatro grandes incêndios registados na última semana devem-se a causas evitáveis como estas – queimas de sobrantes e uso de maquinaria agrícola. Ainda esta quinta-feira, elementos da Guarda Nacional Republicana (GNR) detiveram um homem de 39 anos, no concelho de Trancoso, “por ter originado um incêndio ao utilizar uma motorroçadora com fio de nylon, tendo consumido cerca de 2,39 hectares de área florestal”. Segundo a GNR, “o detido foi constituído arguido, e os factos foram comunicados ao Tribunal Judicial de Trancoso”.

Segundo a GNR “mais de 60% das ocorrências de incêndio devem-se ao uso negligente do fogo”. Os dados oficiais desta autoridade indicam que este ano já “foram registados 2.460 crimes de incêndio florestal, sendo efetuadas 44 detenções e identificados 497 cidadãos considerados suspeitos, decorrendo atualmente os processos de investigação por este crime”. Nos primeiros seis meses de 2022 “foram instaurados 605 autos de contraordenação, por violação das normas vigentes, nomeadamente, proteção do edificado, aglomerados populacionais, queimas e queimadas e utilização de maquinaria”.

A Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC) alertou esta tarde para o quadro meteorológico presente, que se deverá estender até 15 de julho e que revela temperaturas muito elevadas, um nível de humidade relativa do ar inferior a 20% na generalidade do território e vento de leste, o que pode ser um cocktail explosivo se as ignições não forem controladas.

Quadro de risco

Os distritos em alerta laranja esta sexta-feira são Vila Real, Bragança, Viseu, Guarda, Castelo Branco e Santarém, aos quais se juntam Leiria, Coimbra e Aveiro a partir das 00h00 de sábado.

Ao início da tarde desta sexta-feira, três grandes incêndios preocupavam a Proteção Civil, um em Benespera (Guarda), outro em Carrazeda de Ansiães (Bragança) e o terceiro em Ourém (Santarém). Segundo a ANEPC, registaram-se 91 incêndios em Portugal continental esta quinta-feira, dos quais 84 foram resolvidos no ataque inicial.