Sociedade

Comandos já não treinam a sede: "Causa lesões irreversíveis"

24 junho 2022 23:14

Vítor Matos

Vítor Matos

Jornalista

alex walker

A chamada "prova zero", em que morreram dois instruendos, continua a realizar-se, mas os homens têm de beber água e evitar a desidratação. Tropa especial celebra 60 anos no dia 29. Faltam 146 elementos para o número de efetivos previsto pelo Exército

24 junho 2022 23:14

Vítor Matos

Vítor Matos

Jornalista

Os comandos não reduziram a dureza dos cursos, mas deixaram de treinar a sede dos instruendos, que levada ao limite e conjugada com o calor na chamada “prova de choque” ou “prova zero”, levou à morte de dois militares em 2016. Esta prova continua a realizar-se, mas o treino da desidratação, que era uma das tradições nos comandos, acabou: “A sede não se treina”, disse ao Expresso o tenente-coronel Ricardo Camilo, comandante do Batalhão de Formação do Regimento de Comandos, no âmbito de uma reportagem que será publicada na revista E, na próxima semana, sobre os 60 anos desta tropa especial — comemorados no Regimento da Caregueira na quarta-feira, dia 29.

“Dados estatísticos da NATO dizem que, de cada vez que treinamos a sede, estamos a criar lesões irreversíveis. Hoje sabemos isso”, explica o oficial, que chegou a participar num grupo de trabalho da Aliança Atlântica sobre o esforço do soldado, uma matéria que o Exército também está a investigar em colaboração com a Universidade do Porto. “Há países que ainda treinam a sede e que assim estão a reduzir o potencial humano”, explica o oficial. “Treinamos para saber lidar com a falta de hidratação e falta de água, o que é diferente.” O tenente-coronel Camilo sabe que comandos mais antigos podem achar que o curso está a ser desvirtuado, mas garante que a dureza e a exigência se mantêm: “Não queremos desvirtuar a instrução, mas também não estamos agarrados ao passado”, diz. Mesmo na temida “prova de choque,” se a temperatura estiver amena, os instruendos levam sempre quatro litros de água na mochila de hidratação, mais um litro no cantil. Caso seja necessário, sobretudo com temperaturas mais altas, são reabastecidos.

Este é um artigo do semanário Expresso. Clique AQUI para continuar a ler.