Sociedade

Incêndios: “Pedrógão está mais combustível do que antes”

17 junho 2022 22:19

Carla Tomás

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Jornalista

Ana Baião

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Fotojornalista

Passaram-se cinco anos do maior e mais trágico incêndio florestal de que há memória em Portugal, mas a desordem da paisagem rural agravou-se. Há mais cuidado, mas menos meios

17 junho 2022 22:19

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Ana Baião

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Com exceção de um poste de média tensão descarnado e abandonado que ali permanece, ninguém diria que foi num vale verdejante percorrido por um ribeiro, em Escalos Fundeiros, que tudo começou. “É o sítio mais improvável para começar um incêndio”, atesta Joaquim Sande Silva, olhando em volta. Este especialista em ecologia do fogo — que integrou a Comissão Técnica Independente (CTI) que analisou os trágicos incêndios de 17 de junho de 2017 — recorda que foi neste local que um raio caiu sobre uma linha de média tensão, provocando uma descarga elétrica sobre um carvalho próximo.

Eram 14h30 de um sábado quente e seco, precisamente há cinco anos. “Durante algum tempo o ribeiro impediu a progressão do fogo”, conta Sande Silva. Pouco depois, a sobrecarga na rede elétrica fez eclodir novo incêndio a poucos quilómetros dali, em Regadas, e passados nove minutos surge o de Góis. Três horas depois o incêndio era considerado “incontrolável, independentemente dos meios disponíveis”, garante a CTI.