Sociedade

Operação Fim de Festa: Marco Orelhas terá agarrado vítima durante o esfaqueamento. Igor morreu com mais de dez facadas

zed jameson/mb media

PJ deteve mais nove suspeitos de envolvimento na morte de Igor Silva. Vítima foi agredida, impedida de fugir e morreu com mais dez golpes de faca nas costas e no peito. Marco "orelhas" Gonçalves, pai do autor das facadas, é um dos detidos. São membros dos Super Dragões, claque do FC Porto

8 junho 2022 11:47

Rui Gustavo

Rui Gustavo

Jornalista

Um mês depois de ter detido Renato Gonçalves, suspeito de ter esfaqueado até à morte Igor Silva na noite em que o FC Porto festejou o título de campeão nacional, a PJ deteve mais nove suspeitos de envolvimento no crime.

Segundo uma fonte policial, a autoria material da morte continua a ser atribuída a Renato Gonçalves, que está em prisão preventiva sob suspeita de homicídio qualificado. Mas as investigações permitiram concluir que os nove detidos “agrediram e impediram Igor Silva de fugir e o desfecho poderia ter sido outro senão tivessem intervindo”. Entre os detidos está Marco "Orelhas", pai do principal suspeito e um dos líderes da claque Super Dragões. Todos os detidos - e até a vítima - têm ligações à claque.

Segundo a mesma fonte, Igor foi primeiro agredido por um grupo de indivíduos e num segundo momento esfaqueado por Renato. Conseguiu fugir, mas foi apanhado e agredido pelo grupo agora detido e novamente esfaqueado por Renato Gonçalves. No total, levou mais de dez facadas nas costas e no peito e acabou por morrer no local.

As causas do crime estarão relacionadas com desentendimentos pessoais entre a família Gonçalves e a vítima, que terá agredido a irmã de Marco "Orelhas". Durante o último fim de semana, o "Correio da Manhã" e o "Jornal de Notícias" noticiaram que Marco, temendo represálias, terá chamado a polícia depois de um grupo de amigos de Igor Silva ter ido ao bar onde trabalha. A Operação Fim de Festa terá tido como objetivo evitar que a violência escalasse por causa de eventuais ações de retaliação.

Os suspeitos só vão ser ouvidos por um juiz na quinta-feira. Carlos Duarte, advogado de três dos detidos, alega que foi "a pressão mediática" que levou às detenções. "Efetivamente, trouxeram arguidos que não têm rigorosamente nada a ver com os factos em causa", disse à saída das instalações da PJ. Para Carlos Duarte, "uma coisa é estar presente em eventuais práticas de delitos, outra coisa é participar nos mesmos, ainda que por omissão".