Sociedade

Morte do agente da PSP: todo o filme dos 120 segundos de uma noite trágica

29 abril 2022 9:39

Hugo Franco

Hugo Franco

Jornalista

Rui Gustavo

Rui Gustavo

Jornalista

Soco de Vadym Hrynko a Fábio Guerra,

d.r.

Agressor que desencadeou violência à porta da discoteca desapareceu. Fuzileiro garante que soco de colega foi responsável pela morte de agente da PSP Fábio Guerra. Vítima mortal tinha 1,27 g/l de álcool no sangue

29 abril 2022 9:39

Hugo Franco

Hugo Franco

Jornalista

Rui Gustavo

Rui Gustavo

Jornalista

Leonel M. acabara de levar um soco na cara. Tentou recompor-se recuando um pouco, mas sem sorte, já que três homens foram na sua direção e bateram-lhe novamente no rosto. Ao cair no chão, foi pontapeado nas costas com violência. A seu lado, dois dos seus colegas da PSP que tinham estado com ele na festa de aniversário também tombavam no passeio. No meio da confusão, o agente da esquadra de Alfragide conseguiu perceber que um dos agressores que o esmurrara era um segurança da discoteca de onde tinham acabado de sair. “Era musculado, usava roupa escura, tinha uma gabardina e parecia conhecer os [outros] agressores”, relatou aos inspetores da PJ horas depois. Há uma imagem dessa agressão sob investigação e é um dos episódios relatado em dois documentos a que o Expresso teve acesso: a promoção de 244 páginas do Ministério Público e o despacho de 47 páginas do juiz Carlos Alexandre sobre a noite que custou a vida ao agente Fábio Guerra.

A cumplicidade entre alguns seguranças da Mome e os fuzileiros Cláudio Coimbra, Vadym Hrynko e o civil Clóvis Abreu — o trio que na madrugada de 19 de março “feriu gravemente” quatro agentes à civil, levando à morte de Fábio Guerra na sequência das pancadas — não passou despercebida a quem assistiu à contenda, que durou apenas dois minutos. No fim, um desses seguranças, de “roupa escura, idêntica aos demais seguranças que estavam no local, de gabardina, dirigiu-se aos três, levantou as mãos no ar, em jeito de vitória, e deu um abraço aos agressores”, conta A., que estivera também na discoteca. A informação é corroborada por outra testemunha, que observou o mesmo segurança “a festejar a cena de pancadaria” com os suspeitos. As câmaras de CCTV do clube noturno mostram um filme que segue o mesmo guião: antes da confusão à porta, os seguranças demonstram um “relacionamento próximo” com os fuzileiros e segundos depois não se mexeram para impedir os sucessivos pontapés na cabeça dos três militares contra o homem que socara Cláudio.