Sociedade

Baleia que encalhou na Costa da Caparica apresenta indícios de fraturas e já não pode ser devolvida ao mar "sem provocar mais sofrimento"

15 abril 2022 19:17

Em comunicado, o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas garante que vai continuar no local "a acompanhar evolução da situação e o estado de saúde do animal", mas dá a morte como certa

15 abril 2022 19:17

A baleia que arrojou esta sexta-feira na praia da Fonte da Telha, na Costa da Caparica, em Almada, tem indícios de "fraturas", "possivelmente provocadas por um abalroamento", pelo que não é possível devolvê-la ao mar "sem provocar mais danos e sofrimento".

A informação é prestada pelo Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), em comunicado em que aponta a morte do animal – "um cachalote (Physeter macrocephalus), com 14,8 metros e um peso estimado de 15 toneladas" – como destino certo.

"Após os primeiros avistamentos do animal, a Polícia Marítima procedeu à tentativa de encaminhar o animal para uma zona de águas mais profundas, procurando afastá-lo da costa", esclarece-se.

Terão sido precisamente estas lesões detetadas a provocar o arrojamento: "O animal não reagiu, no entanto, à proximidade das embarcações, o que indicia a forte probabilidade de já não se encontrar saudável antes de encalhar na praia: o habitat natural destes animais são águas bastante profundas e, geralmente, quando se aproximam de zonas costeiras é por já se encontrarem doentes ou por terem sofrido algum problema".

O ICNF, instituição tutelada pelo Ministério do Ambiente e Ação Climática, "continuará no local a acompanhar evolução da situação e o estado de saúde do animal". Caso se confirme a morte, será feita "uma avaliação externa mais aprofundada para avaliar a existência de ferimentos ou sintomas de doenças que expliquem esta ocorrência". .

"A remoção do cadáver ficará depois a cargo dos serviços da Câmara Municipal de Almada, realizando-se depois a necropsia na segunda-feira, em instalações da AMARSUL", acrescenta-se.

Ao início da tarde, em declarações à Agência Lusa, o capitão do Porto de Lisboa, Diogo Vieira Branco, considerava já "remota" a hipótese de o animal sair da praia por si. O reboque é uma impossibilidade, “quer porque o animal já está encalhado, quer porque o reboque, com arrasto ao longo da areia, iria ferir o animal”.

Eutanásia também não é viável

“Neste momento são 19:00 e ele ainda está vivo”, informou à Agência Lusa a bióloga do ICNF Marina Sequeira, sem saber indicar quanto tempo mais o animal consegue manter-se com vida.

Questionada sobre a possibilidade de recorrer à eutanásia, uma vez que o animal acabará por morrer, Marina Sequeira disse que “foi equacionada, mas sabendo à partida que não seria possível” devido às dimensões da baleia cachalote, que tem quase 15 metros de comprimento (e não 10, como inicialmente calculado pelas autoridades) e um peso estimado de cerca de 15 toneladas.

“Seria preciso muito produto, uma quantidade enorme de produto químico para fazer a eutanásia. As clínicas veterinárias não têm a quantidade que seria exigida para um animal deste tamanho e mesmo outro tipo de produtos químicos para fazer a eutanásia são de difícil manipulação por serem extremamente perigosos”, sustentou.

A representante do ICNF realçou a intervenção de alguns populares que cavaram uma espécie de canais de água e começaram a levar água com baldes e com regadores, para minimizar o sofrimento. Porém, lamentou, “os danos em órgãos internos são suficientemente graves para que o facto de molhar o animal não consiga reverter o processo”.