Sociedade

Comunidade israelita coloca processo de naturalização de Patrick Drahi à disposição da PJ

14 março 2022 16:08

Patrick Drahi nasceu em Marrocos, tem nacionalidade marroquina, francesa, israelita e portuguesa

christophe morin/ip3

Processos de certificação de descendência de judeu sefardita do presidente da Altice e do multimilionário russo Roman Abramovich estão em investigação e já levaram à detenção do líder da Comunidade Judaica do Porto, o rabino Daniel Litvak

14 março 2022 16:08

A Comunidade Israelita de Lisboa (CIL) colocou hoje à disposição das autoridades o processo de naturalização de Patrick Drahi, presidente da Altice, citado pela Comunidade Judaica do Porto (CJP) como um dos casos na origem de buscas realizadas na sexta-feira.

Depois de manifestar no sábado o seu desconhecimento sobre a existência de um inquérito relativamente à concessão da nacionalidade portuguesa ao empresário Patrick Drahi, ao abrigo do regime de naturalização para descendentes de judeus sefarditas, a CIL enviou uma carta à direção da Polícia Judiciária (PJ) na qual reiterou a sua disponibilidade para clarificar o processo e a certeza de ter cumprido a lei em vigor.

Segundo a CIL, o processo de certificação de descendência de judeu sefardita de Patrick Drahi foi emitido em novembro de 2015, na sequência da verificação de diversos documentos e da árvore genealógica do empresário, e está arquivado nas suas instalações e disponível às autoridades.

Na sexta-feira, a Comunidade Israelita do Porto/Comunidade Judaica do Porto (CIP/CJP), cuja atuação já estava a ser investigada a propósito do processo que levou à concessão da nacionalidade portuguesa ao multimilionário russo Roman Abramovich, revelou que haveria um outro processo de naturalização em investigação: o do empresário Patrick Drahi.

A investigação no âmbito do processo de Abramovich, que levou à detenção na quinta-feira do líder religioso da CJP, o rabino Daniel Litvak, implicou a realização de buscas e envolve suspeitas de vários crimes, nomeadamente tráfico de influências, corrupção ativa, falsificação de documento, branqueamento de capitais, fraude fiscal qualificada e associação criminosa, indicaram a Polícia Judiciária (PJ) e o Ministério Público (MP) num comunicado conjunto.

Segundo a direção da CIP/CJP, um dos seus membros foi também indiciado dos crimes de tráfico de influência, fraude fiscal, branqueamento e falsificação de documentos.

Em causa estarão alegadas irregularidades cometidas em processos de atribuição da nacionalidade portuguesa a descendentes de judeus sefarditas, que se encontram em investigação. Judeus sefarditas são judeus originários da Península Ibérica expulsos de Portugal no século XVI.

Em paralelo, o Instituto dos Registos e Notariado (IRN) anunciou igualmente no final de janeiro a abertura de um inquérito sobre esta matéria.