Sociedade

Doenças não transmissíveis responsáveis por dois terços das mortes prematuras

10 março 2022 11:55

Foto: Estela Silva/ Lusa

“Dois terços de todas as mortes antes dos 70 anos na região europeia da Organização Mundial da Saúde (OMS) são causadas por quatro grandes doenças não transmissíveis: cardiovasculares, cancros, doenças respiratórias crónicas e diabetes”, refere o Relatório Europeu da Saúde 2021

10 março 2022 11:55

Dois terços das mortes prematuras na Europa são causadas por quatro doenças não transmissíveis, continente com uma das taxas de suicídio mais elevadas do mundo e onde as infeções por VIH estão a aumentar, alertou hoje a OMS.

“Dois terços de todas as mortes antes dos 70 anos na região europeia da Organização Mundial da Saúde (OMS) são causadas por quatro grandes doenças não transmissíveis: cardiovasculares, cancros, doenças respiratórias crónicas e diabetes”, refere o Relatório Europeu da Saúde 2021 hoje divulgado.

Segundo o documento, um em cada cinco homens e uma em cada 10 mulheres “está atualmente a morrer antes do seu 70.º aniversário de uma das quatro principais” doenças não transmissíveis, mortes que são “em grande parte evitáveis” e causadas por quatro fatores de risco comportamentais modificáveis: o consumo de tabaco, a dieta pouco saudável, a falta de atividade física e o consumo prejudicial do álcool.

 De acordo com o relatório da OMS, o suicídio constitui também um “importante contribuinte para a mortalidade prematura” na Europa que, apesar da redução registada, continua a “ter uma das taxas de mortalidade por suicídio mais elevadas a nível mundial”.

Em 2019, ainda antes da pandemia da covid-19, 119.000 pessoas na região europeia da OMS, que inclui mais de 50 países, “morreram por suicídio”, salienta o relatório.

A OMS alerta ainda que a Europa é uma das duas regiões da OMS onde o número de infeções por VIH está a aumentar, com um crescimento de cerca de 6% para cada 1000 pessoas entre 2015 e 2019, sendo o sexo heterossexual a forma mais comum de transmissão (50%).

Em 2018, as doenças cardiovasculares foram as que mais contribuíram para a mortalidade prematura (48,9%), seguidas de perto pelo cancro (44,1%), enquanto as doenças do sistema respiratório (3,7%) e a diabetes (3,3%) tiveram impactos menores neste indicador.

A OMS avança ainda que o consumo total de álcool per capita diminuiu 1,3 litros entre 2000 e 2019, no entanto, os níveis de consumo na Europa continuam a ser os mais elevados a nível global.

“Anualmente, os adultos (pessoas com 15 anos ou mais) da região bebem, em média, 9,5 litros de álcool puro”, o equivalente a 190 litros de cerveja, 80 litros de vinho ou 24 litros de bebidas espirituosas, alerta o relatório da OMS Europa.

Em Portugal, de acordo com o relatório, o consumo total per capita aumentou de 11,9 para 12,1 entre 2015 e 2019.

Segundo o relatório, o consumo de álcool está associado a 31% das mortes por doenças digestivas, 11% das mortes por doenças cardiovasculares, 6% das mortes por cancro, 30% das mortes por lesões não intencionais (quedas, afogamentos, acidentes de viação) e 39% das mortes por lesões intencionais (suicídio ou homicídio).

Relativamente ao consumo de tabaco, a prevalência padronizada da taxa entre pessoas com 15 anos ou mais foi de 26,3% em 2018 na Europa, tendo aumentado em Portugal entre 2010 e 2018.

 A OMS alerta que o uso de cigarros eletrónicos tem vindo a ganhar popularidade entre os jovens 13 e os 15 anos, com alguns países a registarem as taxas de utilização dos cigarros eletrónicos entre os jovens mais elevadas do que as dos cigarros convencionais.

Na maioria dos países da região europeia da OMS, a prevalência de excesso de peso e de obesidade é maior em rapazes dos 7 aos 9 anos (29%) do que nas raparigas (27%) e quase uma em cada três crianças desta faixa etária vive com excesso de peso ou obesidade.

O documento sublinha também que todos os países cumpriram a meta para a mortalidade materna de menos de 70 por 100.000 nados vivos até 2030, estando a taxa situada nos 13 por 100.000 nados vivos, a partir de 2017.

Quanto aos profissionais de saúde, a região europeia da OMS tem a maior taxa de médicos (47,2 por 10.000 habitantes) em todo o mundo e regista a segunda maior taxa de pessoal de enfermagem (81,9 por 10 000 habitantes).