Sociedade

Maioria dos jovens que chega aos centros educativos já estava a ser seguida pela proteção de crianças e jovens em perigo

11 novembro 2021 8:22

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Relatórios são simplistas, diz Comissão de Acompanhamento e Fiscalização dos Centros Educativos: são “formulários, com respostas múltiplas pré-definidas, os quais não possuem a virtualidade de permitirem um conhecimento global sobre a situação”

11 novembro 2021 8:22

A maioria dos jovens (80%) que é internada nos centros educativos já era acompanhada pelo sistema de proteção de crianças e jovens em perigo e mais de metade (56%) já se encontrava à guarda de uma instituição, revela o relatório anual da Comissão de Acompanhamento e Fiscalização dos Centros Educativos, a que o jornal “Público" teve acesso. Apesar de os dados serem de abril de 2021, “nos últimos anos”, essa é a realidade.

O relatório revela, segundo a comissão, que a proteção de menores está a abarcar “situações para as quais não foi concebida nem está vocacionada, designadamente condutas disruptivas protagonizadas por jovens com comportamentos multiproblemáticos”. Os dados mostram, ainda, que os relatórios são simplistas, entende a comissão.

“Ao longo dos últimos anos tem-se verificado por parte de algumas das equipas da Direção-Geral de Reinserção e Serviços Prisionais uma tendência para a feitura de relatórios simplificados sobre a ‘personalidade do menor, incluída a sua conduta e inserção socioeconómica, educativa e familiar”, diz a comissão. Alguns relatórios são “formulários, com respostas múltiplas pré-definidas, os quais não possuem a virtualidade de permitirem um conhecimento global sobre a situação”, acrescenta.