Sociedade

“Angoche”, anatomia de um mistério

7 novembro 2021 23:34

d.r.

A 24 de abril de 1971, em plena Guerra Colonial, um cargueiro português era encontrado à deriva ao largo de Moçambique, em chamas e sem ninguém vivo a bordo, tirando um gato e um cão, testemunhas silenciosas de uma tragédia que, 50 anos depois, continua por explicar

7 novembro 2021 23:34

É

um mistério digno do Triângulo das Bermudas mas ocorrido com mar calmo e a 30 milhas da costa. O comandante do “Angoche” era experiente: Adolfo Manuel Bernardino tinha 16 anos de mar, três dos quais nestas paragens e fazia a sua última viagem antes de regressar ao território continental português. O barco era moderno, estava em perfeito estado e percorria uma rota sobejamente conhecida, não havendo precedentes de ataques à navegação naquelas águas, de resto vigiadas por aviões e navios de guerra, não só portugueses como britânicos. Isto acontecia devido à declaração de independência unilateral branca da então Rodésia do Sul (hoje Zimbabwe) em 1965 e ao subsequente bloqueio naval inglês ao porto da Beira. Outros olhares atentos por ali haveria, a começar pelos sul-africanos e quem sabe que outros, ou não estivéssemos em plena Guerra Fria.