Sociedade

PJ detém burlão de pintura contrafeita de Cruzeiro Seixas, Malhoa, Negreiros, Cesariny, Cutileiro, Alvarez e Malangatana

28 outubro 2021 12:47

Isabel Paulo

Isabel Paulo

Jornalista

Polícia Judiciária deteve um comerciante de arte e apreendeu 40 obras pictóricas contrafeitas no Grande Porto. Desmantelamento da rede, que incluía um falsário que produzia e assinava as pinturas na sala de artesanato de um estabelecimento prisional, contou com a colaboração da Direção-Geral de Reinserção e Serviços Prisionais

28 outubro 2021 12:47

Isabel Paulo

Isabel Paulo

Jornalista

A Polícia Judiciária, através da Diretoria do Norte, deteve um comerciante de quadros contrafeitos, após a realização de diversas buscas domiciliárias e em estabelecimentos, no Grande Porto. Nesta operação, a PJ procedeu-se à apreensão de 26 peças, que vem juntar-se a outras já descobertas no âmbito da mesma investigação, completando um total de 40 obras, todas presumivelmente falsas.

A rede agora desmantelada tinha como principal responsável um comerciante de arte, referenciado por introduzir no comércio de arte nacional, leiloeiras e galerias, obras pictóricas falsas, “elaboradas 'ao estilo' ou reproduções de grandes mestres nacionais e estrangeiros”, refere em comunicado a PJ.

O esquema urdido compreendia ainda um falsário, que produzia e assinava a pintura, e um conjunto de indivíduos responsáveis pela colocação no mercado, e em particulares de boa-fé, das peças produzidas.

A produção da pintura falsa decorria na sala de artesanato de um estabelecimento prisional, sendo o falsário, previamente municiado dos materiais necessários, tais como telas, pinceis, folhas de papel de desenho, tubos de tinta e óleo, frascos de óleo de linhaça, lápis de carvão, papel vegetal, papel químico e outros.

Após a produção, as pinturas saíam do estabelecimento prisional através de visitas autorizadas, “sendo as mesmas seguidamente escoadas para o circuito comercial pelo ora detido, que era quem coordenava todo o esquema”.

Os mestres até ao momento identificados nas falsificações são Cruzeiro Seixas, Mário Cesariny, Noronha da Costa, José Malhoa, Cutileiro, Domingos Alvarez, Malangatana e Almada Negreiros.

A investigação, que contou com a colaboração da Direção-Geral de Reinserção e Serviços Prisionais, ainda está em curso “no sentido de identificar a totalidade das peças contrafeitas produzidas, bem como a sua atual localização”.

O detido, de 50 anos, comerciante de arte, foi presente a primeiro interrogatório judicial, tendo-lhe sido aplicada a medida de obrigação de permanência na habitação.