Sociedade

Diretor do DCIAP ataca o Governo: “Assim, sinceramente, não se combate o crime”

22 outubro 2021 20:23

Albano Pinto contesta o facto de o DCIAP só ter recebido um dos 270 milhões da "bazuca" destinados à Justiça. Num encontro com magistrados e operacionais da Autoridade Tributária, revelado em exclusivo pela SIC, o número um do departamento que investiga os crimes económicos mais complexos diz não perceber porque é que órgãos como a secretaria-geral da Justiça ou a divisão de estatística vão receber mais dinheiro

22 outubro 2021 20:23

O habitualmente reservado Albano Pinto explodiu num encontro entre magistrados e inspetores tributários que a AT teve de organizar porque o DCIAP "não tem meios" para organizar encontros. Em declarações divulgadas pela SIC captadas num encontro em Lisboa sobre criminalidade tributária e aduaneira, o procurador que lidera o DCIAP desde 2019 critica amargamente a distribuição dos 270 milhões da "bazuca" europeia destinados à justiça.

O DCIAP teve direito a um milhão - "0,4 por cento" - e para o magistrado é incompreensível que "quem no Ministério da Justiça" fez a distribuição dos fundos tenha considerado que era "mais importante" "atribuir 4,6 milhões à secretaria-geral do Ministério da Justiça" ou "26,3 milhões a uma divisão de estatística" e "249 milhões ao instituto de gestão financeira".

Perante uma plateia de 40 magistrados e inspetores da Autoridade Tributária, Albano Pinto revelou que o DCIAP, em três anos, permitiu ao Estado recuperar "três biliões, 282 milhões, 750 mil, vinte e sete euros e 61 cêntimos". "Imaginem o que seria se tivéssemos os meios para perseguir o crime económico e financeiro". O magistrado queixou-se da falta de peritos "económicos, financeiros e informáticos" e desabafou: "Assim, sinceramente, não se combate o crime".