Sociedade

Mais de 200 revistas de saúde apelam a medidas para combater as alterações climáticas

6 setembro 2021 16:53

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angelos tzortzinis

220 revistas científicas apelam a que sejam aplicadas medidas para combater a crise climática, depois de um editorial ter sido publicado esta segunda-feira em conjunto pelas publicações envolvidas na iniciativa

6 setembro 2021 16:53

Mais de 200 publicações científicas publicaram esta segunda-feira um editorial em que apelam a que os líderes internacionais tomem iniciativas urgentes a respeito da crise climática, de forma a proteger a saúde pública. De acordo com o "British Medical Journal" é a primeira vez que um número tão elevado de publicações se juntam em torno de uma mensagem, neste caso dirigida ao poder político.

O texto pede aos líderes que acelerem a tomada medidas, de forma a manter o objetivo do Acordo de Paris de 2015 de restringir a temperatura global a um aumento de 1,5 graus centígrados. O tema será debatido na próxima assembleia-geral da ONU, que tem início marcado para 21 de setembro. Esta será a última grande reunião antes da conferência das Nações Unidas sobre as Alterações Climáticas (COP26) – agendada para novembro em Glasgow, na Escócia.

O texto, que é citado pelo jornal britânico "The Guardian", diz que “a ciência é inequívoca; um aumento global acima de 1,5ºC levará à perda contínua da biodiversidade e colocará em risco a saúde numa escala em que será impossível haver reversão.” Acrescenta que a pandemia não pode servir como desculpa, “Apesar de toda a preocupação à volta da covid-19, não podemos esperar que a pandemia passe para reduzirmos rapidamente as emissões".

Contudo, o editorial argumenta que só será possível ver resultados se os países mais ricos fizerem mais esforços. Lukoye Atwoli, diretor do "East Africa Medical Journal", citado pela Lusa afirmou que, “embora os países de rendimentos baixos e médios tenham historicamente contribuído menos para as alterações climáticas, suportam os efeitos adversos de forma desproporcionada, incluindo na saúde.”

A diretora do "British Medical Journal", Fiona Godlee, disse ao "The Guardian" que acredita que “2021 deve ser um ano em que o mundo muda de rumo,” alertando ainda que “a saúde depende disso.”