Sociedade

Universidade de Aveiro abre inquérito a docente por partilhar mensagens de teor “discriminatório” nas redes sociais

1 junho 2021 11:04

Universidade de Aveiro

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Denúncia foi feita por plataforma Quarentena Académica, que acusa o docente de ter “um discurso de ódio” e “negacionista”

1 junho 2021 11:04

O reitor da Universidade de Aveiro, Paulo Jorge Ferreira, ordenou a abertura de um processo de inquérito a um professor do Departamento de Física da instituição, depois de a organização Quarentena Académica ter denunciado o docente. Paulo Jorge Ferreira revelou, esta segunda-feira, que foi aberto um inquérito devido à publicação nas redes sociais de mensagens com teor "discriminatório", com as quais a instituição “não pactua”.

A plataforma Quarentena Académica diz que o docente Paulo Lopes “assume um discurso de ódio contra vários setores mais fragilizados da sociedade nas redes sociais” e “ainda posições negacionistas sobre a pandemia de covid-19”. Segundo o reitor, a organização “considera inaceitável que uma instituição pública seja tolerante e conivente com os seus docentes que assumam, aberta e publicamente, discursos que violam a Constituição da República e os mais elementares valores democráticos”.

A propósito da detenção de suspeitos pela morte do estudante caboverdiano Luís Geovani, o docente acusa a imprensa de não falar num "ataque racista" porque "o bando assassino era de ciganos". Sobre uma evocação do cantor António Variações, comentou: "Orgulho em ser-se doente e pervertido?". Em abril de 2020, sobre a pandemia, perguntava: "Serei eu o único à face da Terra a perceber que as quarentenas e isolamentos sociais servem de R I G O R O S A M E N T E NADA???".

O reitor da garantiu, ao “Jornal de Notícias", nunca ter tido qualquer queixa por parte de alunos, professores ou funcionários do docente. Contudo, desde que a questão foi suscitada nas redes sociais - onde circulam as denúncias - decidiu agir "porque nenhuma forma de discriminação é tolerável".