Sociedade

“Enquanto a classe média e alta conseguir escolher a escola onde inscreve os filhos continuará a existir segregação”

15 abril 2021 20:19

Pedro Nunes

Pedro Nunes

Fotojornalista

pedro nunes

Versão integral da entrevista publicada na edição semanal desta sexta-feira à socióloga Sílvia de Almeida, professora da FCSH, uma das coordenadoras do estudo da Universidade Nova de Lisboa e da dos Empresários pela Inclusão Social que desvendou, esta semana, os valores e o mapa da segregação dos alunos de origem imigrante nas escolas públicas e no território nacional

15 abril 2021 20:19

Pedro Nunes

Pedro Nunes

Fotojornalista

Sílvia de Almeida é uma das coordenadoras do estudo da Universidade Nova de Lisboa e do grupo Empresários pela Inclusão Social (EPIS) que desvendou, esta semana, os valores e o mapa da segregação dos alunos de origem imigrante nas escolas públicas e no território nacional: um terço dos estabelecimentos de ensino concentra estes estudantes em turmas específicas, perpetuando as dificuldades letivas, e em 23% dos concelhos há um desequilíbrio na sua distribuição por certas escolas. A desigualdade é mais evidente na Grande Lisboa, mas os maiores valores registam-se fora dali. No pior dos casos, em Barcelos, seria preciso redistribuir mais de 50% dos alunos para alcançar um equilíbrio.

O que leva um terço das escolas a segregar os estudantes não nativos, que são também os que têm maiores dificuldades? Há alguma evidência de que criar turmas de bons e de maus alunos se reflete no sucesso de ambos?
A constituição de turmas tendo em conta o desempenho é muito prejudicial para os alunos com resultados escolares mais baixos. Acabam por não recuperar ao longo do percurso, continuando para sempre em ambientes educativos com outros colegas que têm os piores desempenhos. Em vez de isolar estes alunos com mais dificuldades, as escolas deviam dar-lhes mais apoios, um outro acompanhamento, mas mantendo-os em turmas heterogéneas. Exclui-los não é a solução. A verdade é que também não existem evidências de que esta segregação tenha resultados interessantes para os bons alunos.