Sociedade

China e Rússia suspeitas do aumento de ciberespionagem “de origem estatal” em Portugal

6 abril 2021 11:52

kacper pempel/reuters

Fontes oficiais destacam que Relatório Anual de Segurança Interna não identifica autores dos crimes

6 abril 2021 11:52

Portugal sofreu, no último ano, um aumento de “ameaças persistentes, tecnologicamente avançadas, de origem estatal”, segundo o Relatório Anual de Segurança Interna (RASI) 2020. O relatório não revela autores dos ataques informáticos, mas, segundo o jornal “Publico”, que cita fontes que investigam e analisam este tipo de fenómeno e de criminalidade, os ataques tiveram origem na China e na Rússia. O jornal adianta, ainda, que alguns dos ataques estão a ser investigados pela Polícia Judiciária.

O gabinete do primeiro-ministro e o Centro Nacional de Cibersegurança (CNCS) recusaram-se a comentar as acusações. O gabinete de António Costa destacou que o RASI não refere o nome de qualquer país e o CNCS alegou que “não tem nada a acrescentar ao que se encontra expresso no RASI”.

O jornal avança, ainda, que os ataques da China têm estado associados a ciberataques contra instituições de saúde, enquanto a Rússia se focou em entidades ligadas ao Estado. No RASI, sem identificar autores, pode-se ler que há “operações de ciberespionagem contra entidades de investigação científica, particularmente envolvidas na pesquisa de terapêuticas e de vacinas [contra a covid-19]”. O mesmo relatório fala de “atores estatais” que “continuam a desenvolver campanhas de ciberespionagem para aceder a informações secretas, bem como a desencadear ciberoperações para sabotar, desestabilizar e afetar a credibilidade de entidades e indivíduos a nível global, mas particularmente em países do espaço euroatlântico”.

As embaixadas dos dois países foram contactadas para comentarem os casos. A da China frisou que o Governo chinês se opõe e combate “sempre conforme as leis, os ataques e espionagens cibernéticos”. Já a embaixada da Rússia diz que, “se houvesse lugar a quaisquer acusações concretas contra a Rússia, seria razoável mostrar pelo menos algumas provas”, destacando que, assim, “o caso não passa de uma mera especulação infundada”.

As fontes citadas pelo jornal explicam que a forma de detetar a autoria dos ataques baseia-se no tipo de tecnologia utilizada e pelo modus operandi dos atacantes. Contudo, afirmam que nem sempre é fácil realizar essa análise, uma vez que os Estados também contratam grupos criminosos ou lobos solitários para lhes prestarem serviços.