O Reino Unido vai suspender os voos com Portugal a partir das quatro horas da manhã desta sexta-feira, devido a uma nova estirpe de coronavírus identificada no Brasil, mas que ainda não chegou ao território português, segundo garante o Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA).
O ministro britânico dos Transportes, Grant Shapps, disse no Twitter que tomou esta "decisão urgente" de cortar voos com Portugal "devido aos seus laços fortes com o Brasil" e com o objetivo de "reduzir o risco de importação de infeções".
O bloqueio de voos do Reino Unido a Portugal também se estende aos Açores e à Madeira, com os quais o Governo britânico mantinha corredores aéreos, e que passam a estar fechados a partir desta sexta-feira.
Até agora, os passageiros vindos da Madeira e dos Açores estavam isentos de cumprir a quarentena de 10 dias exigida à maioria dos viajantes que chegam ao Reino Unido, por serem considerados destinos seguros.
No entanto, o Governo britânico vai isentar deste bloqueio os camionistas que viajem a partir de Portugal para permitir a circulação de bens essenciais e também aos cidadãos britânicos e irlandeses e nacionais de países terceiros com direito de residência, que poderão entrar no país, mas cumprir quarentena de 10 dias.
Escócia e País de Gales também querem suspender voos com Portugal
O País de Gales e a Escócia apoiaram a decisão de Shapps e também se preparam em breve para bloquear voos com Portugal, segundo avança o "The Guardian".
O primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, já tinha avançado na quarta-feira estar preocupado com uma nova estirpe do vírus originária do Brasil e avisou que preparava "medidas duras para proteger este país de novas infeções vindas do estrangeiro".
A par de Portugal, o Reino Unido decidiu banir as ligações aéreas com todos os países sul-americanos e vários outros, numa extensa lista que inclui à cabeça o Brasil, mas também Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Equador, Guiana Francesa, Guiana, Panamá, Paraguai, Peru, Suriname, Uruguai ou Venezuela. Cabo Verde também está incluido nesta lista.
O Reino Unido já tinha proibido voos diretos da África do Sul devido à nova estirpe do vírus identificada naquele país e também considerada altamente infecciosa - restrições que foram alargadas na semana passada a vários países africanos, como Angola e Moçambique, por terem ligações com a África do Sul.
Nova estirpe brasileira tem doze mutações e pode ser resistente a vacinas
Também o Brasil já tinha proibido os voos diretos com o Reino Unido em dezembro, na altura em que foi identificada uma estirpe do vírus no país britânico, então divulgada como sendo altamente contagiosa.
A nova estirpe brasileira do vírus foi confirmada na última terça-feira pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), o maior centro de investigação médica da América Latina, que revelou ainda ser originária do estado brasileiro do Amazonas.
O Ministério da Saúde do Brasil também confirmou esta semana que a nova estirpe foi identificada no Japão, em quatro viajantes provenientes do Brasil. E adiantou e que a variante brasileira do vírus que possui doze mutações, incluindo a mesma que foi encontrada em variantes já identificadas no Reino Unido e na África do Sul.
Boris Johnson também já frisou ter "muitas dúvidas" sobre a nova estirpe de coronavírus identificada no Brasil, incluindo o facto de ela poder ser resistente às vacinas, tal como é muito desconhecida a nova variante sul-africana.
O "Daily Telegraph" noticiou esta quinta-feira que a estirpe brasileira pode infetar pessoas que recuperaram do vírus, depois de cientistas terem descoberto que a nova estirpe brasileira sofreu mutações que a tornam mais infecciosa e tem alterações que a ajudam a escapar às defesas do sistema imunológico.
Um estudo publicado no ano passado sugeriu que 76% das pessoas em Manaus contraíram o coronavírus em outubro, o que deveria ter produzido imunidade de grupo, mas a cidade registou um aumento inesperado de novos casos no mês passado e agora declarou estado de emergência, com hospitais a atingir 100% da capacidade.
O "Telegraph" cita um novo estudo internacional que inclui cientistas do Imperial College e da Universidade de Edimburgo, que descobriu que 41% dos casos atuais em Manaus são causados pela nova estirpe.