Sociedade

Avaliação internacional. Metade dos alunos do 8.º ano não gosta de aprender Matemática

8 dezembro 2020 9:00

alberto frias

Valor é superior à média dos 39 países participantes no estudo internacional TIMSS. No 4º ano, a percentagem de alunos que gosta da disciplina é muito mais alta

8 dezembro 2020 9:00

Quanto mais os alunos gostam de aprender Matemática e mais se sentem confiantes, melhores são os resultados que obtêm nos testes. Esta é uma das associações encontradas na avaliação do TIMSS – Trends in International Mathematics and Sciende Study -, o estudo que de quatro em quatro anos permite conhecer os desempenhos dos alunos do 4.º e do 8.º anos, a Matemática e Ciências, em dezenas de países e regiões.

E se, nos resultados obtidos nas últimas edições do TIMSS, os jovens portugueses têm-se saído razoavelmente bem, já na questão das atitudes os valores encontrados, sobretudo entre os mais velhos, são preocupantes. Quase metade (48%) dos que estão no 8.º ano disseram na última avaliação (realizada em 2019) não gostar de aprender Matemática e 55% admitiram não estar confiantes em relação à disciplina. No caso do 8.º ano não há comparativo com os valores de 2015, já que Portugal não participou nesse ano.

Mas é possível olhar para a evolução entre os alunos do 4.º ano e verificar que os valores, ainda que muito mais positivos, pioraram. No TIMSS de 2015, apenas 10% tinham indicado não gostar de aprender Matemática. Na edição mais recente o número aumentou para 15%.

Nessas idades, praticamente metade também respondeu gostar muito da disciplina (61% em 2019).

O afastamento em relação à matéria acontece com a idade e com o facto de os conteúdos se tornarem mais difíceis. E, chegados ao 8.º ano, apenas 19% manifestaram idêntico gosto.

Mais positivos a Ciências

Este padrão repete-se a nível internacional, mas em Portugal é mais acentuado. Assim, se 20% do total da amostra de alunos inscritos no 4.º ano disseram não gostar de Matemática, a média de todos os países participantes no TIMSS para o 8º ano é o dobro (41%). Entre os alunos portugueses, o valor mais do que triplica: de 15% para 48%.

Quando são colocadas as mesmas questões – gostas de aprender e sentes-te confiante – em relação a Ciências, as diferenças também existem entre os mais novos e mais velhos, mas os valores são mais positivos. Apenas um quinto dos que estão no 8.º ano responderam não gostar de aprender Ciências, sendo que também aqui sentimentos mais positivos estão “fortemente associados a pontuações médias mais elevadas”.