Sociedade

Dióxido de cloro continua a ser vendido como tratamento da covid-19. INEM fala em “ilegalidade”, DGS, Infarmed e DGAV passam a “bola”

21 setembro 2020 10:41

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Substância química é usada em contexto médico em Portugal apesar de poder causar vómitos, febre e queimaduras de estômago, sublinha o jornal “i”. Nenhuma entidade nacional diz ter autoridade para proibir este tratamento fraudulento

21 setembro 2020 10:41

Tem um nome simpático, “Miracle Mineral Solution”, mas é na verdade feito à base de dióxido de cloro, um composto químico usado, por exemplo, no tratamento das águas e no fabrico de lixívia. É vendido em Portugal, e quem o comercializa diz que é indicado para tratar o VIH, o autismo, ou, mais recentemente, a covid-19. Em Espanha, entre abril e junho, foram detectados 26 casos de intoxicação por MMS.

Em Portugal, lembra esta segunda-feira o “jornal i”, o MMS encontra-se num vazio legal. O Infarmed não o certifica enquanto medicamento e desaconselha o seu uso, mas a sua venda não é proibida - é considerado “uma lixívia” e foge à jurisdição da autoridade nacional. Por isso, continua a ser utilizado em “escolas” de medicina alternativa no país.

Já em 2010 o Gabinete de Planeamento e Políticas do Ministério da Agricultura (hoje integrado na DGAV, Direção-Geral de Alimentação e Veterinária) tinha alertado a população para os malefícios desta substância: “Por via oral, os efeitos tóxicos variam segundo a quantidade ingerida: vómitos, febre, dores epigástricas e torácicas e, por isso, queimaduras graves das mucosas do esófago e do estômago.”

Ao jornal “i”, a DGAV diz que o dióxido de cloro “não está autorizado” nem “foi notificado”. O INEM considera o seu uso em contexto médico uma “ilegalidade”, mas ninguém parece atuar no sentido da sua proibição, diz o “i”: a DGS remete para o Infarmed, que remete para a DGAV, que remete para o Infarmed. Enquanto isso, a ASAE demarca-se do problema, conclui o jornal.

O líder da Igreja Génisis II da Saúde e Cura foi recentemente preso na Colômbia por fabricar, promover e vender MMS, prometendo que este curaria a covid-19 e outras doenças, apesar do seu carácter fraudulento. O esquema rendeu-lhe cerca de 100 mil euros mensais, segundo a BBC.