Sociedade

Derrubar 20 barragens para salvar espécies no Douro

6 setembro 2020 9:38

A barragem de Crestuma/Lever é a primeira barreira a travar a subida de espécies como a enguia

rui duarte silva

GEOTA vai propor ao Estado a remoção de barreiras obsoletas no Douro para impedir a desertificação de peixes nativos, como no lado espanhol

6 setembro 2020 9:38

O consórcio Rede Douro Vivo, com base num estudo liderado pelo Grupo de Estudos de Ordenamento do Território e Ambiente (GEOTA), vai propor à Agência Portuguesa do Ambiente (APA) a remoção prioritária de 20 barragens e açudes obsoletos, localizados em cinco afluentes do Douro. A investigação realizada nos últimos dois anos pela Associação Natureza Portugal, em parceria com as universidades do Porto e de Trás-os-Montes e Alto Douro e o Instituto Politécnico de Bragança revela que as mais de 1200 barreiras do rio Douro têm vindo a colocar em risco dezenas de espécies autóctones, como a lampreia e a enguia, ao travarem o curso da água, comprometendo a biodiversidade na maior bacia hidrográfica da Península Ibérica.

A construção de 57 grandes barragens hidroelétricas ao longo do rio e seus afluentes do lado de cá da fronteira, além de reduzir os caudais, interrompeu a conectividade fluvial, “impedindo ou causando enorme constrangimento” à migração da comunidade piscícola local. Para mitigar os efeitos nefastos na fauna local, fluvial e terrestre, o GEOTA defende a progressiva retirada de barreiras inúteis, “25% das quais obsoletas ou semidestruídas, servindo apenas para potenciar a deterioração da água e dos habitats ribeirinhos”, refere Ricardo Próspero.