Sociedade

“Alguém me disse que a casa-mãe precisava de mim. Ninguém gosta de ver a casa da mãe a cair”: Cristina justifica a troca da SIC pela TVI

“Alguém me disse que a casa-mãe precisava de mim. Ninguém gosta de ver a casa da mãe a cair”: Cristina justifica a troca da SIC pela TVI
Ana Baião

Apresentadora explica transferência para a TVI, que a colocou em incumprimento contratual com a SIC - que por sua vez pretende uma indemnização de pelo menos €4 milhões

As paredes da TVI caíram e é preciso reconstruí-las. Esta é a explicação que a apresentadora Cristina Ferreira dá para abandonar a SIC, sem cumprir todo o contrato assinado há quase dois anos. “Fazia lá falta”, escreveu num post deixado na sua conta oficial de Instagram. É um regresso à sua “casa mãe”.

“Um dia alguém me disse que a casa mãe precisava de mim. Olhei e percebi que fazia lá falta. Era preciso reconstruir paredes que tinham caído. Ninguém gosta de ver a casa da mãe a cair. E a filha volta para trabalhar”, aponta o post na rede social, publicado este sábado, 18 de julho.

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Cristina Ferreira saiu da SIC (detida pela Impresa, dona do Expresso) esta sexta-feira, 17 de julho, já depois de ter apresentado o seu “Programa da Cristina” (que acabaria por ser o último), para regressar à TVI, de onde tinha saído em setembro de 2018. “Tive a sorte de nesta saída de 2 anos encontrar um lugar especial onde os sonhos tinham espaço. Encontrei pessoas extraordinárias, uma casa que será sempre minha, uma equipa agarrada ao coração para sempre”, indica, referindo que deixa aí uma das memórias mais bonitas da sua vida.

Na TVI, aquela a que chama “casa mãe” - de onde tinha saído porque era “preciso” “continuar a crescer” -, Cristina Ferreira será agora diretora com responsabilidade pela área de ficção e de entretenimento, administradora da Media Capital (a proprietária do canal de televisão) e ainda acionista, com uma participação entre 1% a 2%, segundo tem sido noticiado. Em Queluz de Baixo tentará inverter as audiências que, desde que chegou à SIC, sempre lhe foram favoráveis. O canal da Impresa é líder de audiências há 17 meses, destronando um poderio de anos protagonizado pela estação da Media Capital.

Mas, para já, o acerto de contas entre as duas partes será outro. A SIC pretende uma indemnização de pelo menos 4 milhões de euros, sendo que 2 milhões serão pelo incumprimento do tempo contratual (a ligação estendia-se até 2022) e outros 2 milhões por compromissos que agora não serão cumpridos. A Media Capital terá salvaguardado que pagará uma parte deste montante.

A TVI está em profunda mudança, depois da compra falhada pela Cofina no início do ano. O grupo espanhol Prisa, que controla a Media Capital, não conseguiu vender todo o capital, mas acabou por alienar apenas uma parcela de 30% do capital ao empresário Mário Ferreira, e, desde a sua entrada, têm ocorrido alterações na estrutura de poder. Esta semana, subiu a CEO Manuel Alves Monteiro, que é colega de administração do empresário do Norte numa empresa, a Mystic Invest. Antes, Nuno Santos, até aqui diretor de programação, foi promovido a diretor-geral, enquanto Sérgio Figueiredo abandonou a direção de informação.

Este sábado, o Público noticiou que Anselmo Crespo, vindo de subdiretor da TSF, será o novo responsável pela informação da TVI, com Pedro Mourinho, pivot da SIC, a transitar também como membro da nova direção. Já João Fernando Ramos sairá da RTP para dirigir a redação TVI Porto.

Entretanto, com as mudanças, a Media Capital desmente que Mário Ferreira esteja a decidir, por si, o que se está a passar na TVI, mas a Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) já abriu uma averiguação para perceber quem afinal manda no canal.

Pelo meio, a Cofina – que está num diferendo com a Prisa por conta da tentativa falhada de compra da TVI e que colocou Paulo Fernandes e costas voltadas com Mário Ferreira – diz que continua interessada em comprar a Media Capital.

Tem dúvidas, sugestões ou críticas? Envie-me um e-mail: dcavaleiro@expresso.impresa.pt

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