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Covid-19. Parques aquáticos portugueses vão reabrir na totalidade até 15 de julho

16.06.2020 às 17h17

O Zoomarine reabriu a 10 de junho sem o parque aquático, que vai voltar a funcionar ainda este mês

DR

Dos 14 parques que há no país, uma excepção é o Aquashow, no Algarve, que só irá reabrir em 2021. Manter distâncias de dois metros é a nova regra para aceder a escorregas e piscinas

Não vão faltar no verão os parques com escorregas e piscinas, apesar da pandemia. Já há luz verde, desde 15 de junho, para os parques aquáticos poderem reabrir em Portugal seguindo as recomendações da Direção Geral da Saúde (DGS). De acordo com a associação que representa o sector, os parques nacionais já estão a preparar-se para esta 'rentrée', devendo estar a funcionar na totalidade até 15 de julho, salvo casos de exceção em que a reabertura ficou adiada para o próximo ano, por decisão das empresas.

"Temos 14 parques em atividade, para quem é vital esta reabertura", frisa Diogo Marques, presidente da Associação de Parques Aquáticos de Portugal, que participou no processo de criação de normas sanitárias para os parques aquáticos poderem reabrir, junto com a Direção-Geral da Saúde.

"Conseguimos essa proeza, de poder reabrir a partir de 15 de junho, o que é importantíssimo para os parques aquáticos, que têm uma atividade muito sazonal, que vai de junho a outubro a nível nacional, e começando mais cedo no Algarve, de abril a outubro", faz notar Diogo Marques. "No geral, todos os parques em Portugal vão estar abertos até 15 de julho respeitando as recomendações da DGS, à exceção de parques que, por opção da administração, vão adiar a reabertura para 2021".

O Aquashow, em Quarteira, já anunciou que irá manter-se este ano encerrado, "por estar em altura de obras e não compensar o investimento da reabertura num período reduzido", exemplo que poderá ser seguido por um outro caso no Algarve que ainda está a pesar a decisão, conforme adianta o responsável da Associação de Parques Aquáticos de Portugal.

A primeira reabertura confirmada é a do Aquaparque, na Madeira, já para o próximo sábado, 20 de junho. Também o Slide & Splash, no Algarve, tem data definida para reabrir, a 29 de junho. A partir daí, será rápido o processo de reabertura dos restantes parques, dependendo das habituais vistorias para este efeito, para as quais as empresas já se teriam posicionado se não fosse a paragem forçada com a pandemia da covid-19. Segundo o presidente da associação do sector, "ao dia de hoje [terça-feira, 16 de junho], todos os parques já têm vistorias marcadas", fazendo prever que possam estar a funcionar no pico do verão.

Recomendações para ir aos parques: marcar primeiro e levar a máscara

Quais as novas regras para voltar a frequentar os parques aquáticos? É conveniente levar máscara, pois também aqui é a norma para estar em espaços fechados, como restaurantes e lojas, apesar de não o ser no espaço exterior. É recomendado que se façam previamente marcações 'online', apesar de não ser obrigatório, o que no fundo vem ajudar os parques na gestão de avaliar a capacidade de pessoas que podem receber, mantendo a distância social no mínimo de dois metros entre diferentes grupos de pessoas, o que também deve ser respeitado no acesso a escorregas ou piscinas.

"A nossa grande guerra foi a de construir com a DGS o plano sanitário para os parques poderem reabrir", sublinha o presidente da Associação de Parques Aquáticos de Portugal, referindo que o processo de desinfeções para fazer face à covid-19 nem foi o aspeto mais crítico. "Os parques aquáticos são os equipamentos mais seguros que existem a nível de higienização, as pessoas estão em ambiente constante de desinfeção, e já por lei éramos obrigados a manter os locais higienizados", enfatiza.

O principal 'busílis' para os parques vai ser o de manter o distanciamento social de dois metros, e de determinar e gerir, a partir dos grupos que recebem, a capacidade máxima que poderão ter. As novas normas da DGS não impõem limites de lotação aos parques aquáticos, mas obrigam a cumprir a distância mínima de dois metros entre pessoas de diferentes grupos (familiares e conviventes poderão ter uma aproximação maior). "As pessoas não vêm sozinhas para os parques, vêm em grupos", lembra Diogo Marques, referindo que as novas condições de distanciamento vão alterar o que era a lotação habitual dos parques, obrigando a cálculos permanentes.

O primeiro parque aquático a reabrir, a 20 de junho, é o Aquaparque na Madeira

O primeiro parque aquático a reabrir, a 20 de junho, é o Aquaparque na Madeira

D.R.

"Os grupos, que eram limitados a 10 pessoas, já foram alargados a 20. Conseguimos agora ter grupos de 20 pessoas, mas há que garantir a distância social entre grupos", explica o presidente da associação. "Para nós é muito diferente vender bilhetes para duas ou 20 pessoas, num parque onde cabem 1000 pessoas, eu posso ter 600 ou 800, consoante os grupos. Daí serem importantes os agendamentos 'online' para sabermos quantas pessoas podemos colocar no parque". Para os parques, que têm uma atividade sazonal e cuja temporada ia agora começar, a pandemia da covid-19 acabou por não fazer grande mossa a nível de datas de funcionamento. "Esta é a abertura que seria normal e natural para os parques, apesar de poder ter ocorrido um pouco mais cedo", nota Diogo Marques.

Zoomarine vai reabrir o parque aquático com metade da lotação

O parque Zoomarine no Algarve, que tinha aberto no início de março e viu-se obrigado a encerrar a 13 de março devido à situação da pandemia, voltou a abrir ao público a 10 de junho sem a componente aquática, mas com um conjunto vasto de atividades que inclui a parte zoológica, as apresentações de golfinhos, leões marinhos ou aves de rapina, além de espetáculos de acrobacias em anfiteatros ao ar livre, a zona de aquários ou de cinema 4D.

Lembrando que o Zoomarine é muito mais do que um parque aquático, a diretora operacional, Natália Neves, afirma: "temos um bocadinho de muitas coisas que são áreas específicas sobre as quais têm saído recomendações da DGS".

Ainda em junho, irá reabrir a parte aquática do Zoomarine, que inclui os escorregas e as piscinas, para a qual já está marcada a respetiva vistoria. O espaço, que normalmente podia receber três mil pessoas em simultâneo, vai ficar limitado a 1.500, para se cumprirem as regras de distanciamento entre as pessoas.

"Vamos baixar a lotação em 50% na parte aquática, não somos obrigados a isso mas assim permite dar mais segurança às pessoas, e para haver distanciamento, por exemplo nos chuveiros", adianta a diretora operacional do Zoomarine.

"Para dar mais tranquilidade às pessoas, os chapéus de sol no exterior vão estar a três metros de distância uns dos outros. Como temos muitas famílias, tivemos de preparar tudo fazendo um cálculo médio de quatro pessoas por chapéu", adianta Natália Neves.

Não havendo orientações muito específicas relativamente aos parques aquáticos, a prioridade do Zoomarine tem sido a de "beber de todas as orientações que saíram para atividades de ar livre, as coisas têm-se alterado rapidamente e os balneários já tiveram a reabertura autorizada, no fundo estamos a aplicar todas as situações que podem ser aplicáveis ao parque aquático", avança a diretora operacional, lembrando que estas medidas incluem sinalética para distanciamento, reformulação dos planos de limpeza ou formação do pessoal.

A reabertura a 10 de junho no Zoomarine, sem a parte aquática, "tem corrido bem, o público tem cumprido as regras que pedimos, e como recebemos essencialmente famílias as pessoas vêm com alguns cuidados até por causa dos filhos e tem sido fácil de gerir".

O "grande esforço dos colaboradores" em adotar novas regras para o Zoomarine poder reabrir também é destacado por Natália Neves. "A verdade é que queríamos todos voltar, tínhamos saudade de ter o parque aberto e estamos a preparar-nos com tudo para este objetivo, dentro do que é possível planificar", conclui a diretora operacional.